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Notícias Câmara Brasil Portugal

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Do Consulado

CIMEIRA LUSO-BRASILEIRA Lula patrocina novos negócios na última visita

A agenda económica domina a visita de Lula ao País, sobretudo os dossiers ligados ao sector energético. Durante pouco mais de três horas, o presidente brasileiro Lula da Silva está hoje em Lisboa para a X Conferência Luso-Brasileira. Com uma agenda preenchida de encontros e acordos bilaterais, a visita deverá centrar-se no fortalecimento das relações em áreas como a ciência, tecnologia, energias renováveis e cultura. E com a projecção de língua portuguesa a nível internacional na ordem do dia.

Na reunião com o primeiro-ministro, José Sócrates e Lula da Silva deverão conversar também sobre a cooperação triangular com países africanos, sobretudo no sector de energia, mas também da projecção da língua portuguesa no mundo. Mas esta a reunião servirá também para impulsionar negócios de empresários portugueses no Brasil, que já está em contagem decrescente para o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos 2016.

 A visita de Lula da Silva a Portugal - que pode ser a última na qualidade de Presidente do Brasil, já que Lula se retira após as eleições de Outubro - está delimitada a três locais muito próximos. Primeiro, ainda antes da Cimeira, o chefe de Estado brasileiro é recebido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém. Segue-se a cerimónia de entrega do Prémio Camões 2009, atribuído ao escritor e poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, que será ali mesmo ao lado, no Museu dos Coches.

Mais tarde, é a vez do encontro com o primeiro-ministro, José Sócrates, no Palácio das Necessidades, onde de seguida começa a X Cimeira Luso-Brasileira, o momento alto desta deslocação oficial. No final da sessão plenária do encontro são assinados vários acordos bilaterais e a visita termina com uma conferência de imprensa conjunta. Antes de regressar ao Brasil, o presidente estará num jantar oferecido por Sócrates.
 

Além da cimeira, há também um Encontro Empresarial promovido pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), no centro de congressos de Lisboa. Neste encontro de empresários vão estar Carlos Mariani, coordenador da coligação empresarial brasileira da CNI - Confederação Nacional da Indústria, CNI, Basílio Horta, presidente da AICEP, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Miguel Jorge e o ministro da Economia, Vieira da Silva. No final há um debate sobre Inovação e Energia.

A propósito desta visita, que é o culminar de um 'roadshow' de Lula por cinco países - Rússia, Qatar, Irão, Espanha e Portugal, - o especialista em relações internacionais, Paulo Gorjão, comenta que, "apesar dos laços históricos e culturais, a verdade é que a relação política e económica [entre Portugal e o Brasil] está longe do que seria, porventura, expectável e possível". Em declarações ao Diário Económico, o especialista sublinha que, "caso fosse necessário, as relações entre os dois países demonstram que os elos comuns de natureza histórica e cultural, por si só, não são suficientes para criar e suster uma parceria estratégica". Isto porque, acrescenta Gorjão, "Lisboa e Brasília nem sempre têm interesses políticos convergentes". Um dos marcos desta cimeira será a assinatura de um acordo para pesquisa e exploração conjunta de petróleo em águas profundas no Brasil, entre a Galp e a brasileira Petrobras, entre outros.

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UE cria mecanismo para facilitar investimentos na América Latina

A Europa está decidida a não deixar a China tornar-se o segundo maior parceiro da América Latina, a seguir aos EUA. Ontem, na cimeira entre a União Europeia e os países latino-americanos e das Caraíbas, os chefes de Estado lançaram um mecanismo para facilitar o investimento europeu naquela região, no valor de 125 mil milhões de euros. "Foi uma cimeira muito bem sucedida", afirmava no fim o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy. É que além do retomar das negociações entre UE e Mercosul e da criação da Fundação Eurolac (Europa, América Latina e Caraíbas) - que já tinham sido anunciadas na véspera -, da cimeira saiu também um mecanismo de 125 mil milhões de euros em subvenções, que permitirá gerar investimentos até três mil milhões de euros. O presidente da Comissão, Durão Barroso, confirmou depois que os focos de investimentos, para já, serão "as infraestruturas". Do lado europeu, continua a existir um grande receio no que toca à agricultura, porque países como a Argentina dão grandes subsídios aos seus agricultores e impõem tarifas à importação de produtos agrícolas, tornando a concorrência desleal.

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Entrevista LUÍS AMADO, MNE "Comércio externo será integrado no MNE"

Amado diz que um próximo Governo reforçará o papel do MNE na promoção da economia.Luís Amado percorre o mundo a promover as empresas portuguesas e o mercado nacional. Acredita que um futuro Governo acabará por integrar toda a política do comércio externo no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Somos um País periférico, muito dependente do exterior em que o grosso das nossas exportações se concentra em três ou quatro mercados.

Como é o seu dia-a-dia a tentar promover empresas portuguesas num País com estas características?
Temos de orientar a economia portuguesa para a exportação de bens e serviços transaccionáveis, na procura a mercados alternativos ao mercado europeu e americano.


 Que outros mercados alternativos e com que tipo de produtos?
A concentração excessiva nos mercados europeu e americano condicionou muito a forma como a economia nacional se ressentiu desta crise que impôs restrições muito grandes ao crescimento da Europa e Estados Unidos. A presença das nossas empresas em mercados emergentes é determinante e temos de orientar a nossa economia para esses mercados. É um processo que depende sobretudo de empresas e empresários e da sua capacidade de inovação e empreendedorismo. É absolutamente essencial que a matriz de dependência de produtos que têm uma grande intensidade de mão-de-obra se renove e seja substituída por produtos com mais valor acrescentado e menos mão-de-obra.


 Em que mercados: América Latina, Golfo e África Austral?
Temos prestado muita atenção a estes mercados. Os mercados asiáticos estão a rebocar a economia internacional...
 Mas são mercados onde temos grande dificuldade em penetrar com força e valor acrescentado.
São mercados distantes, a dimensão das nossas empresas é muito limitada e a sua internacionalização foca-se em espaços onde temos continuidade geográfica ou cultural, como acontece nos Países de língua oficial portuguesa. Brasil, Angola, Moçambique, Magreb são mercados prioritários e mercados naturais de expansão. Se garantíssemos uma presença sólida nas economias americana e do Mercosul, com mais empresas e mais investimentos, seria uma boa aposta.


Com que tipo de produtos?
Depende muito das oportunidades que os mercados nos oferecem. A nível de serviços e produtos tecnológicos tem havido oportunidades de crescimento muito relevantes. Outro mercado com enorme potencial é o da África Austral. Do Congo e do Golfo da Guiné até à África do Sul temos um potencial geopolítico que provavelmente nenhum País europeu tem. Temos empresas, temos uma comunidade muito significativa (mais de meio milhão de portugueses), uma língua cada vez mais falada e em expansão e uma boa relação política e diplomática.


Com esse discurso em torno da política económica não faz sentido, como propôs recentemente Manuel Pinho, a integração do comércio externo nos Negócios Estrangeiros?
Regozijo-me com a proposta do ex-ministro Manuel Pinho. Creio que essa orientação está em curso e que a prazo um futuro Governo assumirá essa reforma. Procuramos valorizar o nosso crescimento cada vez mais à custa da procura externa (a procura interna vai ficar muito condicionada) e é natural que a concentração de recursos seja vantajosa. Os passos que têm sido dados vão nesse sentido.


A interacção é cada vez maior entre os ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros?
Sim. As estruturas dos ministérios, sector privado e associativo estão a dialogar muito e bem.
2010-05-17 10:26
Francisco Teixeira, Diário Económico

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Cinco áreas onde se aprofunda a relação económica Portugal-Brasil

Galp e Petrobras cada vez mais próximas.
A Galp e a Petrobras vão dar esta semana mais um passo de aproximação, quando assinarem um novo acordo durante a cimeira luso-brasileira para a área de exploração e produção de petróleo, mas já há muito tempo que as duas petrolíferas trabalham em conjunto. A perspectiva de a Petrobras se tornar um dos principais accionistas da petrolífera portuguesa foi já confirmada em Abril pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. E, apesar de se prever que aconteça com a eventual saída da italiana Eni (dona de 33,34 por cento das acções da Galp), esse deverá ser um dos temas no encontro entre Sócrates e Lula. A parceria mais importante é neste momento a exploração e produção de crude ao largo da costa brasileira. O campo de Tupi (Bacia de Santos), explorado por um consórcio em que a Galp detém 10 por cento, a Petrobras 65 e a British Gas os restantes 25 por cento, está ainda em fase de ensaios e produz cerca de 20 mil barris por dia, que, no final deste ano, deverão ser já 100 mil. Também a EDP tem fortes ligações ao Brasil. Uma parte importante do negócio da eléctrica faz-se actualmente do outro lado do Atlântico, onde a subsidiária brasileira EDP (cotada na Bolsa de São Paulo) tem actividades na área da produção, distribuição (estados de São Paulo e do Espírito Santo) e comercialização de energia.

Aeronáutica e defesa na mira dos dois países
As duas fábricas que o construtor aeronáutico Embraer tenciona construir em Évora e o possível desenvolvimento e construção de um novo avião militar brasileiro, com apoios do Estado português, são dois negócios que estão na ordem do dia entre Portugal e Brasil. No que respeita a Évora, é Bruxelas quem, neste momento, tem de decidir se a construção das duas unidades fabris pode ou não avançar. Em causa estão as ajudas acordadas entre Sócrates e Lula da Silva na viagem do Presidente brasileiro a Portugal, em Julho de 2008, que a Comissão Europeia considera que podem violar as regras da concorrência. Prevê-se uma diminuição de fundos comunitários para os dois projectos, que, neste momento, ascendem a 75 milhões de euros. Quanto ao cargueiro militar KC-390, um avião que está a ser desenvolvido pela Embraer para concorrer com o C130 utilizado actualmente pela Força Aérea Portuguesa, o objectivo dos brasileiros é assinarem uma parceria industrial com o Estado português, que permita a partilha de risco e de financiamento deste projecto. Em causa está o desenvolvimento e construção de dois protótipos da nova aeronave e a eventual participação da Ogma - Indústria Aeronáutica de Portugal (onde a Embraer é hoje a maior accionista) e de outras empresas portuguesas na montagem e componentes do futuro avião.

 PT e Telefónica lutam pela brasileira Vivo
A disputa entre a Telefónica e a Portugal Telecom (PT) pelo controlo da operadora móvel brasileira Vivo é um tema incontornável na agenda das relações económicas entre Portugal e Brasil. A oferta de 5,7 mil milhões de euros da empresa espanhola pelas acções da PT na Vivo, prontamente recusada pela empresa portuguesa, terá sido apenas a primeira batalha de uma guerra que todos consideravam inevitável e cujo início era esperado desde a assembleia geral da PT de Março de 2007, quando a Telefónica alinhou com a Sonaecom na OPA sobre a empresa portuguesa. Se às autoridades brasileiras compete serem espectadores imparciais deste duelo entre espanhóis e portugueses, também é justo lembrar que a preservação do património da língua portuguesa tem sido uma das bandeiras do Governo Lula no sector das telecomunicações, onde a maioria das grandes empresas é dominada por capitais de origem espanhola, mexicana e italiana. Esse foi, aliás, um dos argumentos utilizados para defender a criação de um grande operador de língua portuguesa no Brasil, com capitais brasileiros, mas onde ficou em aberto a possibilidade de a PT poder vir a participar. O tema, que motivou conversações entre o ex-ministro da tutela Mário Lino e o seu homólogo brasileiro, poderá voltar a estar em cima da mesa.

Aviação civil, uma relação recente mas promissora
Os céus de Portugal e do Brasil estão cada vez mais próximos, desde que TAP começou a trabalhar em conjunto com a sua congénere TAM. A parceria comercial, que se baseia em acordos de partilha de voos, arrancou em 2007. Em apenas três anos, permitiu à companhia de aviação nacional reforçar a posição no mercado brasileiro, que hoje já vale 30 por cento das suas vendas anuais e é responsável por 14 por cento do total de passageiros transportados. O mais provável é que esta relação se intensifique ainda mais no futuro, agora que a transportadora área brasileira entrou na Star Alliance, a maior aliança de companhias de aviação do mundo, da qual a TAP já faz parte desde 2005. Juntas, conseguem gerar receitas partilhadas de 50 milhões de euros, o que coloca a TAM em segundo lugar na lista de parceiros da TAP, imediatamente a seguir à alemã Lufthansa, com a qual a companhia de aviação gera um fluxo de facturação conjunto de 55 milhões de euros. As duas transportadoras têm-se servido desta relação para crescer no mercado doméstico da sua congénere, mas, sobretudo, para aumentar as ligações nos países em redor. No caso da TAP, a ideia é explorar o potencial da América do Sul, onde ainda só voa para o Brasil e para a Venezuela. Já a TAM tem interesse em reforçar a posição na Europa, nomeadamente em Espanha e na Alemanha. 
 
Um duelo com empate no sector dos cimentos
Em Dezembro do ano passado, a Oferta Pública de Aquisição (OPA) de mais de 3,8 mil milhões de euros da brasileira CSN sobre a Cimpor (com operações no Brasil) apanhou de surpresa o mercado e os accionistas da cimenteira. Mas a oferta, que foi considerada baixa e taxativamente rejeitada pelo conselho de administração da Cimpor, rapidamente evoluiu para uma complexa batalha entre três gigantes brasileiros com a entrada em cena da Camargo Corrêa e da Votorantim. Esvaziando de interesse a OPA que estava em curso, estas duas empresas disputaram junto dos grandes accionistas da cimenteira portuguesa o controlo da empresa e gastaram mais de dois mil milhões de euros num duelo que não deu a vitória a nenhuma delas - a Camargo comprou 33 por cento da Cimpor, enquanto a Votorantim, aliada à CGD, controla 23 por cento da empresa -, mas permitiu travar a entrada no sector cimenteiro no Brasil da CSN. Um processo que, de resto, foi analisado à lupa pelas autoridades brasileiras da concorrência. Mas o dossier Cimpor mais tarde ou mais cedo terá de ser articulado pelos dois países, pois há pontas soltas: o que vai acontecer à única multinacional portuguesa, quando a Camargo e a Votorantim quiserem separar as águas?
2010-05-17 08:45




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