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O Brasil e os países emergentes na economia mundial

Muito dinheiro do contribuinte está sendo gasto nas coisas erradas e ainda há pouco investimento público e privado para o crescimento sustentado a altas taxas.

De acordo com dados publicados pela UNCTAD (2009), existem 82.000 empresas multinacionais (MNEs), e correspondem a um total de 810.000 afiliadas. A soma dos investimentos destas empresas representa 22% do PIB global, contra 5% em 1980.

Este processo de globalização pelo qual está passando a economia mundial traz profundos efeitos sobre o desenvolvimento económico dos países. Ela pode propiciar grandes benefícios aos mesmos, caso os mesmos utilizem políticas apropriadas.

A distância económica, por exemplo, vem diminuindo rapidamente, em virtude das novas tecnologias de informação. Assim, a protecção natural que os países se beneficiavam reduziu-se, e a competição internacional é mais rápida e intensa. Mas, ao mesmo tempo, a globalização abre novos mercados e oportunidades. Este encurtamento de distâncias faz os exportadores alcançarem o mercado internacional com maior eficiência. Pode possibilitar também que os importadores tenham acesso a produtos e serviços mais baratos e que os consumidores disponham de maior informação na escolha de um produto ou serviço.

A China é um exemplo deste novo cenário: precisou de 13 anos para duplicar o seu PIB por habitante – entre 1970 e 1983. Se compararmos com os pioneiros da industrialização, os ingleses, os quais levaram 58 anos, e dos Estados Unidos (47 anos), percebemos o quanto a era da Net, do jacto, da viagem mais barata, da liberalização das trocas e da crescente importância de instituições como o Organização Mundial do Comércio ajudaram a China a aprender mais rápido alguns ensinamentos.

Para continuarem competitivas, as organizações necessitam constantemente adoptar novas tecnologias (não apenas produtos e processos, mas também novos métodos de gestão e relações inter-empresariais). Neste contexto, a capacidade de gerar o desenvolvimento depende da capacidade das empresas e países de ter acesso rapidamente a essas novas tecnologias e usá-las eficazmente, como apoio aos demais sectores, públicos e privados.

Ao mesmo tempo, a abertura comercial e o acesso as novas tecnologias proporciona aos países se especializarem de maneira mais profunda em processos e funções que possuam uma maior vantagem competitiva.

Neste contexto encaixa-se os países emergentes, em particular o Brasil, capa da revista "The Economist" em novembro de 2009. Estão a potencializar o crescimento mundial e a causar um forte impacto sobre inflação, juros, salários e lucros empresariais nos países. A entrada de China, Índia e a União Soviética no capitalismo dobrou a oferta dos trabalhadores, de 1.5 bilhão a 3 bilhões. Estes novos entrantes fizeram a relação capital-trabalho global cair agudamente.

A participação dos emergentes nas exportações mundiais saltou de 20%, em 1970, para 48% em 2008. Consomem mais de metade da energia mundial e respondem por 80% do crescimento na demanda de petróleo de 2001 a 2008.

Para o fundador da sigla BRICs (Brasil, Índia, Rússia e China), Jim O' Neill, tais países não podem ser conceituados no seu sentido tradicional, seria um grande erro, pois são parte essencial da estratégia global de qualquer empresa. Mesmo num contexto de crise financeira Global, o Goldman Sachs elevou a previsão de crescimento do Brasil para 6,4% em 2010, ante expectativa anterior de 5,8%. De acordo com este economista, no mesmo período, a China deve crescer 11,4%; a Índia, 8,2%; e a Rússia, 4,5%.

Em 2050, a China poderá estar em primeiro lugar no ranking das maiores economias mundiais. Os BRICs ocuparão quatro das seis primeiras posições: Estados Unidos (2º lugar), Índia (3º), Europa - cinco maiores (4º), Brasil (5º) e Rússia (6º).

O Brasil possui papel destacado: por exemplo, tem o melhor índice Growth Environment Score (GES) dentre os BRICs, composto por 13 variáveis que apontam para o crescimento sustentável e a produtividade. São ainda algumas forças do Brasil:

- Economia diversificada: exporta desde o minério de ferro ao avião a jacto; A primeira nação do planeta que se globalizou por dentro (colônia de libaneses maior do que o Líbano, por exemplo).

- Democracia sólida (desde 1822, com as eleições parlamentares): liberdade de acção e pensamento (criatividade), contrapeso ao autoritarismo e a maquiagem dos dados;

- Estabilidade e respeito aos contractos: acções do Banco Central para estabilizar a moeda – grau de investimento e parceria estratégica com a União Europeia; Desde 1823 todos os títulos emitidos em nome do governo foram rigorosamente pagos.

Dos dez maiores bancos do mundo, três são brasileiros. O Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo (com apenas 25% de seu território investigado) e estará entre as cinco maiores reservas de petróleo quando for concluída a prospecção da bacia de Santos. O Brasil é auto-suficiente em matéria de energia e é um grande exportador.

Entretanto, muito dinheiro do contribuinte está sendo gasto nas coisas erradas e ainda há pouco investimento público e privado para o crescimento sustentado a altas taxas.

As barreiras de comércio, os subsídios e as limitações de offshore poderão simplesmente proteger empresas ineficientes que necessitariam se transformar, se uma economia quiser prosperar.

Se as economias levantarem barreiras de importação na opinião de que protegerão padrões de vida, poderiam destruir a fonte principal da criação de riqueza no século XXI. Poderiam também negar padrões de vida melhores às centenas dos milhões de pessoas. Se continuarem nesse trajecto, os países mais desenvolvidos de hoje poderão terminar mesmo como os (relativamente) pobres de ontem.

A China novamente é um exemplo. No século dezoito era a maior economia do mundo, com o GDP sete vezes maior do que a Grã-Bretanha. Mas manteve suas portas fechadas aos bens estrangeiros, e assim foi deixada para trás pela revolução industrial e pela explosão no comércio global.

Então o desafio para os governos é arranjar maneiras de melhor compartilhar os frutos da globalização, pois esta será o que fizermos dela. Num momento de crises mundiais, sob diferentes formas, é de fundamental importância as pessoas e países olharem de forma honesta a sua relação consigo própria, com os outros e com o ambiente que o cercam, pois o fracasso ou o sucesso está exatamente nas nossas escolhas, as quais reflectirão o nosso futuro. Na tese discorremos um pouco mais como se fazer isso.

Fonte: Site Portugal Digital




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