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A competitividade do agronegócio cearense
Por Carlos Duarte*
O agronegócio cearense caracteriza-se por uma situação de dualidade que, simultaneamente, revela uma carência e manifesta uma oportunidade: o Ceará detém tecnologia de ponta em diversasproduções agrícolas e pecuárias, mas ainda não se estenderam, suficientemente, tais conhecimentos e práticas ao grosso do tecido produtivo. Esta dicotomia revela o interesse que o agronegócio cearense pode exercer no sentido da atração de empreendedores nacionais e estrangeiros. Aqui se encontram acesso facilitado à tecnologia, vantagens geográficas e de infraestrutura e, sublinhe-se, inúmeras oportunidades em espaços com aptidão para a produção agrícola e pecuária.
Sem prejuízo de outros esforços, o empreendimento em agronegócio no Ceará requer um estudo prévio dos mercados e a definição de padrões e custos de produção otimizados. Aconselha-se postular como alvos diversos públicos consumidores: locais, regionais, nacionais e internacionais, como forma de incrementar a rentabilidade e padrão da produção e salvaguardar a continuidade do êxito na atividade. Em síntese, os fatores que determinam a competitividade do agronegócio cearense revelam-se, essencialmente, a três níveis: 1) localização geográfica; 2) infraestrutura de produção e suporte à comercialização; 3) tecnologia de produção agrícola e pecuária.
Geografia
Dentre as vantagens geográficas, destacamos, primeiramente, que o Ceará se encontra próximo da linha do Equador, apresentando temperatura média estável oscilando entre os 22ºC das serras e os 27ºC do sertão, originando a possibilidade de maximizar a quantidade de safras anuais em diversas produções agrícolas e pecuárias, de onde destacamos as frutas irrigadas e a piscicultura. Ainda neste âmbito, sublinhe-se que o Ceará possui o menor “transit-time” do Brasil para a Europa, Estados Unidos e África.
Infraestrutura
No que diz respeito às vantagens em infraestrutura de produção no agronegócio, assumem especial destaque as 11 bacias hidrográficas, a capacidade de armazenamento de 17,8 bilhões de m3 de água, estimando-se que a área irrigada atual preencha 80 mil hectares, com potencial para utilização de 200 mil hectares, num total de oito perímetros públicos irrigados.
Por outro lado, a comercialização do produto do agronegócio cearense é assistida pelos Portos do Mucuripe e do Pecém, com destaque para este último ao consolidar, em 2009, sua posição como maior porto exportador de frutas do país: 261.228 toneladas exportadas, representando 37% do total exportado em 2009, numa tendência de liderança que se manteve no primeiro quadrimestre de 2010, com 60.385 toneladas exportadas. O Aeroporto Internacional de Fortaleza, por sua vez, possui infraestrutura moderna, câmaras refrigeradas para pescado, flores e frutas, voando diretamente para Europa e Estados Unidos.
Como uma das últimas conquistas da Adece (Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará), merece nota de destaque a implantação de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE) no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, permitindo antever a possibilidade de virmos a ter, num futuro que se deseja próximo, aviões cargueiros para efetuar o escoamento do agronegócio cearense e de outras regiões do Norte e Nordeste.
Dentre as limitações em infraestrutura, cita-se a necessidade de melhoria das vias rodoviárias e ferrovias, se bem que se reconheça o esforço feito nos últimos anos na recuperação e ampliação da malha rodoviária, totalizando mais de 7.500 quilômetros, e com uma distância média inferior a 300 quilômetros das áreas de produção aos portos. Aguarda-se com elevada expectativa a efetivação da Ferrovia Transnordestina, com terminação no Porto do Pecém e permitindo interligar o Ceará às regiões de Salgueiro e Petrolina, em Pernambuco. Ao todo, serão 2,278 quilômetros de extensão com capacidade de transporportar 30 milhões de toneladas de carga por ano, sendo cerca de 595 quilômetros no Ceará.
Tecnologia de Produção Agricola e Pecuária
Na produção agrícola e pecuária, destaca-se a tecnologia moderna e competitiva que o Ceará dispõe nos seguintes setores:
a) fruticultura irrigada, floricultura e apicultura. Sendo este o estado brasileiro que mais exporta castanha de caju, melão, melancia e abacaxi. Banana é outra fruta onde o Ceará se destaca. As flores constituem importante cluster, com relevo para a produção de rosas. A apicultura é praticada sobretudo a nível familiar, cabendo destaque ao programa de Melhoramento Genético de Abelhas. Perspectiva-se uma maior utilização da apicultura em complementaridade com a fruticultura, no sentido da maximização da polinização e subsequente produção.
Os principais mercados de exportação do mel cearense são os Estados Unidos e a Alemanha. Refira-se o trabalho científico da Embrapa Agroindústria Tropical,também expresso nos experimentos com cajueiro no seu Campo Experimental de Pacajus.
b) Pecuária, expressa em caprinos, ovinos e bovinos. Em Sobral, região Norte do Ceará, encontramos a Embrapa Caprinos e Ovinos, centro de referência tecnológica sendo igualmente possível encontrar explorações empresariais que praticam tecnologias modernas como a inseminação artificial e a transferência de embriões.
Ao nível da bovinocultura, perspectivam-se significativos avanços por recurso à utilização dos perímetros públicos irrigados, tendo em atenção que, atualmente, apenas 75% do consumo regional de leite é atendido pela produção estadual.
c) Piscicultura e carcinicultura. A criação de Tilápia assume a relevância neste setor, com produção estadual de 20 mil toneladas mas que, com o potencial hídrico cearense, poderia atingir 240 mil toneladas. O Ceará é o maior consumidor deste peixe no Brasil, com 20% do consumo nacional. Após amargar alguns anos de dificuldades, a criação de camarão volta a experimentar bons resultados, agora com mais ênfase no mercado interno, contando-se cerca de 180 fazendas no Estado distribuídas em 5.546 hectares e perspectivando-se que, até o fim de 2010, o Ceará se afirme como o maior estado brasileiro
produtor de camarão.
No setor agropecuário, bem como noutras áreas de negócio, reforça-se a necessidade de empreender com inovação e qualidade, agregando valor à produção, preservando o meio ambiente e contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico sustentável da sociedade em que nos inserimos.
Uma contribuição ao debate recente sobre a condução a política monetária no Brasil
Por Octavio de Barros*
O ciclo de aperto monetário no Brasil parece ter se encerrado, segundo nossa leitura da ata da última reunião do Copom. O BC não deverá elevar os juros na reunião de setembro, ainda que não seja nula a probabilidade de algum pequeno aumento marginal no próximo Copom. De acordo com o que esperávamos, o Banco Central reduziu o ritmo de elevação dos juros em sua reunião de julho, reagindo a um cenário claramente mais incerto no Brasil e no mundo. Essa redução no ritmo de aperto, de 75 p.b. para 50 p.b., motivou um forte debate em relação à comunicação do Banco Central, por conta da contundência que se observou no último Relatório de Inflação, em relação ao diagnóstico de uma economia claramente aquecida, que sinalizava para um aumento de 75 p.b. Em nossa opinião, a comunicação de qualquer banco central nunca deve prevalecer sobre os dados em momentos de elevada incerteza, como o que estamos vivendo.
Em nossa visão, os dados são soberanos. Temporária ou não, houve uma desaceleração da atividade e da inflação não antecipada pela maioria dos economistas, nós incluídos, nos últimos quatro meses. A comunicação em política monetária é um instrumento de convergência das expectativas e de coordenação dos mercados, mas ela não pode ser substituta da observação atenta da economia real...
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O descaso do País para com a hidrovia
Por Samir Keedi*
É estranho que em um país com cerca de 42.000 quilômetros de rios a sua utilização seja tão irrisória e marginal. E vide que o fluvial é o transporte mais barato que temos. Assim, é incompreensível seu quase-abandono e falta de utilização intensiva. E pelo que se sabe, apenas cerca de 16.000 são hidrovias e somente 8.000 são utilizados. Isso é no mínimo um nonsense, considerando que temos rios que praticamente cortam todo o País, ainda que em conjunto, em que poderíamos ter uma extraordinária rede de navegação interior.
Apenas o Sistema Tiête, Paraná e Paraguai apresenta uma vasta rede de cerca de 7.000 quilômetros de rios, quase equivalente à nossa costa marítima; e situada na melhor região econômica do País e da América do Sul. Hoje o Tietê, juntamente com os Rios Paraná e Paraguai, formam a Hidrovia do Mercosul, em que vários países do Cone Sul de nosso continente são favorecidos. E praticamente todo ele é navegável com as eclusas do Tietê, restando apenas Itaipu, em que há um desnível de 120 metros, sem eclusa, e que obriga à transferência temporária da carga, por 37 quilômetros, para a rodovia. O sistema amazônico também é uma via fluvial de pouca utilização, o que é pena.
Apenas "algum transporte" tem sido realizado pelas nossas hidrovias, carentes de uma consideração maior do governo, que poderia fazer muito mais pela logística brasileira. Como a ferrovia, a hidrovia também pode ser um canal de desenvolvimento de um país que necessita muito recuperar o tempo perdido de três décadas de desenvolvimento bem abaixo da média mundial, e de sua própria média histórica do século XX. Transportar parte de nossas mercadorias por essa via é permitir que elas cheguem às prateleiras de nossos varejistas a preços menores, idealizando o círculo menor preço, mais consumo, mais produção, mais emprego etc.
Como muitos especialistas acreditam, a logística é um dos nossos calcanhares-de-aquiles. Isso torna ainda mais incompreensível a falta de um olhar mais generoso a esse modo de transporte, com todos os privilégios com que fomos agraciados pela mãe natureza. Nossa distribuição física de mercadorias precisa do transporte fluvial. É só vermos o que ocorre no exterior, em que os rios europeus são de vital importância para importantes portos como Rotterdã e Antuérpia. Sem contarmos a França, onde o modo fluvial é de muita importância, em que nos arredores de Paris temos um porto fluvial com as dimensões do Porto de Santos, de cerca de 12 quilômetros.
Nos EUA elas são a causa de terem um custo logístico da soja mais baixo que o Brasil, invertendo uma situação desfavorável em relação à sua produção quando comparado ao Brasil. Produzimos mais barato, mas a colocamos no navio mais caro. E a explicação é singela: enquanto 70% da nossa são levados aos portos pelas rodovias, a soja do Tio Sam segue para o porto pelas hidrovias, em que o Rios Mississipi, Missouri e Ohio têm papel fundamental na sua economia.
E essa situação pode ser comprovada aqui entre nós, em uma tabela de custos divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo em 1997 e que voltou a ser publicada ao final de 2005. Nela o transporte da soja de São Simão, em Goiás, para o Porto de Santos, via rodoviária, custava US$ 35.00 por tonelada; quando levada via fluvial até Pederneiras, no interior de São Paulo, sendo posteriormente colocada na ferrovia para ser transportada até o Porto de Santos, tinha um custo de frete de US$ 12.00.
Assim, é necessário "começar a descobrir" o que todo mundo já sabe: que um processo logístico mal desenvolvido, ou mal utilizado, pode ser mortal para a competitividade, em especial para um país como o Brasil, em que o desenvolvimento é mister. Também porque, se analisarmos o mapa-múndi, veremos que, sem nenhuma culpa nossa, que é geográfico, nós nos escondemos. Com exceção de alguns poucos países, e num continente pobre como o nosso, todos os nossos grandes compradores e fornecedores estão muito distantes. Pior, estão perto dos mais desenvolvidos ou em desenvolvimento efetivo, como é o caso de Europa, Ásia e do subcontinente norte-americano.
Os equívocos da CPLP
Por Alfredo Prado*
A Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada na última semana na capital angolana, se vier a ter algum interesse histórico será mais pelo que não foi feito do que pelos discursos dos participantes ou pelos documentos aprovados.
As conclusões saídas da Cimeira de Luanda reflectem as dificuldades da entidade em se estruturar e ultrapassar o pecado original, ou seja, os equívocos que marcaram o seu nascimento e que perduram.
A criação da CPLP, idealizada pelo brasileiro José Aparecido de Oliveira, na época embaixador do Brasil em Lisboa, e apadrinhada pelo então presidente de Portugal, Mário Soares, ganhou a luz do dia, há 14 anos, perante os olhares cépticos ou mesmo contrariados dos países chamados a nela participar.
Por razões diversas e apreciações diferenciadas sobre os papéis que a nova organização seria chamada a desempenhar, os líderes políticos dos países que a integram nunca se empenharam em ultrapassar a marca “made in Portugal”, que presidiu à sua criação.
Soares era, na altura, `persona non grata´ em Angola, pelo seu posicionamento político a favor da Unita, que prolongava a guerra civil no país. Já José Aparecido de Oliveira, entretanto falecido, era olhado com animosidade em diversos sectores políticos brasileiros.
Nos corredores do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, a CPLP foi praticamente ignorada durante vários anos. Não havia dinheiro para cooperação e a mídia também não se interessava pelo assunto, diziam.
Diplomatas com responsabilidades na política externa consideravam a CPLP uma “criação” dos portugueses, para a qual a contribuição brasileira seria residual, já que, argumentavam, quem tinha responsabilidades históricas junto das ex-colónias portuguesas era Lisboa e não Brasília.
Mais de uma década volvida, a CPLP continua a enfrentar os equívocos gerados na sua génese. Os políticos no poder em Portugal agem, frequentemente, como se a entidade fosse uma quinta particular. Já no Brasil, ela é vista apenas como uma pequena ferramenta, ao serviço do pragmatismo que norteia as relações internacionais do país.
Em diversas ocasiões, sobretudo ao longo dos dois mandatos do presidente Lula, que deixa o Palácio do Planalto no dia 1 de Janeiro de 2011, o Brasil tornou bem claro que o seu relacionamento com os países africanos e nomeadamente com os lusófonos se desenvolve muito além das fronteiras da CPLP.
A ausência de Luiz Inácio Lula da Silva da cimeira de Luanda, sem qualquer razão de peso - o presidente brasileiro justificou a não comparência com a necessidade de visitar áreas no nordeste do país atingidas por cheias, numa altura em que as acções de emergência já tinham sido lançadas e as populações socorridas - evidencia o lugar ocupado pela CPLP na definição da política externa do país.
Já a forma como foi resolvido, ou não resolvido, o pedido de adesão da Guiné Equatorial a membro pleno da comunidade mostra a necessidade de reformular a entidade. Contra a vontade, tornada pública, da maioria dos países membros, o presidente Cavaco Silva e o primeiro-ministro José Sócrates, de Portugal, identificados em espectros políticos contrários, mas irmanados na cruzada da “pureza” da CPLP, bateram o pé e decidiram que Malabo ainda não pode ser um par entre os pares. Terá de provar, primeiro, que cumpre os requisitos estatutários da CPLP.
Uma posição curiosa, pois é difícil encontrar quem cumpra integralmente tais requisitos, entre os países membros, incluindo Portugal. Ou será que Portugal é um país “socialmente justo”?
“O principal critério para Portugal ter rejeitado a entrada da Guiné Equatorial foi a necessidade de se respeitarem os Estatutos da CPLP - como defenderam José Sócrates e Cavaco Silva. O artigo em causa afirma que a CPLP é regida pelos princípios do "Primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e da Justiça Social" (art.5o). É irónico que, se fossem dissecados com ciência os actuais membros da CPLP, nenhum deles preenche todos estes requisitos. Justiça social no Brasil? Estado de Direito na Guiné Bissau? Direitos humanos em Angola? O que também é surpreendente é que, segundo os mesmos Estatutos, os países observadores da Comunidade também têm que se reger por esses mesmos princípios (art. 7o). Mas em 2006, a CPLP não se coibiu de aceitar a Guiné Equatorial como observador. É esta falta de coerência que mina e descredibiliza a organização”, escreve o português Rodrigo Tavares, investigador de pós doutoramento na Universidade de Columbia (EUA) e consultor do Secretariado da ONU, na revista Visão.
Encerrada a cimeira, abre-se uma nova etapa. Angola, que assume agora a Presidência da CPLP pelos próximos dois anos, pode abrir um novo ciclo, se tiver condições para iniciar um processo de reforma da CPLP, que a torne conhecida, respeitada e útil aos países membros.
Fonte: Portugal Digital em 25.07.10
Geração eólica no Brasil
Por Armando Abreu*
A evolução da energia eólica no Brasil não tem sido muito diferente daquilo que aconteceu e acontece hoje, na Europa e nos USA. Nestes países, levou-se, no mínimo, vinte anos, para se atingir o nível de legislação e regulamentação atual. É frequente ouvir-se dizer que no Brasil é tudo mais lento. Não é verdade.
Não podemos esquecer que em 1995, iniciaram-se os processos de privatização do setor elétrico. O governo federal dividiu o setor em geração, transmissão e distribuição, tendo de lá para cá, privatizado a maior parte da distribuição, deixando a nova geração e transmissão, nas mãos dos privados.
Todo o ser humano é adverso a mudança, e no setor elétrico, não podia ser diferente. A resistência a entrada da energia eólica, na matriz energética brasileira, foi um processo natural, inicialmente por desconhecimento, posteriormente por ignorância, e mais recentemente por decisões políticas equivocadas.
Temos de concordar que o Proinfa, não foi um bom exemplo, em termos de critérios de seleção e de eficácia de implantação, embora eu considere um sucesso como política setorial. Este não tão bom exemplo, não ajudou muito a convencer o poder político da eficácia e da indispensabilidade da geração eólica, na matriz energética brasileira.
Mesmo com estudos e relatórios técnicos oficiais, mostrando e provando, a vantagem macro sistêmica da utilização da geração eólica, bem como as enormes vantagens financeiras, os nossos governos não acreditavam, e utilizavam quase sempre a desculpa “é muito cara”.
Com o nível de tarifas atingido, R$ 148,00 por MWh, no leilão de dezembro de 2009, a geração eólica, veio para patamares competitivos inimagináveis, capazes de competir de igual para igual com todas as outras formas de energia, mesmo a das grandes hídricas.
Não podemos esquecer, que todas as outras formas de energia são subsidiadas e os seus preços finais, maquiados das mais variadas formas.
Se colocarem todas as formas de geração, num mesmo patamar de competição, não tenho a menor dúvida que a geração eólica, pode competir e bater as outras formas de energia, tanto em preço, como em rapidez de implantação.
Mesmo assim, sem esta isonomia, a geração eólica mostra-se hoje, como uma foma de energia complementar, limpa e competitiva.
Falta agora, o governo federal, garantir uma continuidade de compra, através de leilões, ou outras formas de licitação, de no minimo 1.500 a 2.000 MW por ano. Com isto assegurado, não tenho a menor dúvida que a energia eólica é uma realidade atual e não mais uma promessa para o futuro.
ARMANDO ABREU
Diretor dos grupos Braselco e Martifer, especializados em energia eólica. Diretor da Ass. Brasileira de Energia Eólica
Fonte: Jornal O Povo em 29.06.10
Balanço das relações internacionais do Ceará (1987-2009)
Por José Nelson Bessa Maia*
Por muito tempo uma das áreas mais atrasadas do Brasil, a situação do Ceará começou a mudar no final dos anos 80 do século XX. O choque fiscal de 1987 e a continuidade da responsabilidade fiscal em cinco gestões consecutivas de Governo estadual converteram o Ceará em um modelo para entes subnacionais no Brasil e noutros países em desenvolvimento.
Com efeito, a continuada austeridade fiscal, de 1987 até hoje, reduziu os gastos de pessoal & de 92,3% das receitas correntes, no período 1979-85, para menos de 50%, no intervalo 2001-2009, e liberou recursos orçamentários para aplicação em investimentos e cumprir pontualmente o serviço da dívida, garantia de novos financiamentos internos e externos.
Em outras palavras, a geração de superávits primários (receitas menos despesas correntes exclusive juros da dívida) formou a base para estabelecer a credibilidade do Estado em níveis que lhe abriram acesso a recursos externos para financiar investimentos de longo prazo.
Além da responsabilidade fiscal, outro elemento contribuiu para acelerar o desenvolvimento do Ceará. Trata-seda chamada para-diplomacia, ou a iniciativa do Estado subnacional no campo internacional. De fato, com a ajuda externa, o Ceará investiu em recursos hídricos e se tornou mais resistente às seculares intempéries do clima semi-árido, além de robustecer sua economia pela construção de infraestrutura para o melhor aproveitamento de suas vantagens comparativas na agroindústria, nas indústrias têxteis, de confecções e calçados, na fruticultura de exportação e no turismo.
Exportações
Um dos ingredientes dessa bem-sucedida estratégia de desenvolvimento local foi a promoção das exportações, em especial de produtos da indústria de transformação. A entrada em operação do complexo portuário de Pecém (em 2001) e o esforço promocional no exterior (até 2006), viabilizado pelo arcabouço institucional do Estado criado para gerenciar a internacionalização e pela parceria do governo estadual com o Sebrae/CE e a Federação das Indústrias (Fiec), ajudaram ao setor privado cearense a ampliar as receitas de exportação, da modesta marca de US$ 219,6 milhões, em 1989, para US$ 527,6 milhões, em 2001, até alcançar US$ 961,8 milhões em 2006.
De fato, para esse resultado contribuíram os esforços paradiplomáticos liderados pelo governo estadual, entre 1998 a 2006, no sentido de expandir a base de empresas exportadoras (estimulando a pequena e média empresa a exportar) e abrir mercados em países europeus (Espanha, Itália, Holanda e Portugal), africanos (Angola, Cabo Verde, Senegal) e asiáticos (China) por meio do envio de frequentes missões comerciais. A partir de 2007, com o desmonte das instituições de promoção internacional no Estado (a assessoria internacional e a SDE), as exportações perderam o dinamismo, mas ainda assim alcançaram a marca de US$ 1.274,9 milhões em 2008, sofrendo recuo em 2009 em virtude da crise global.
Para o desempenho exportador cearense também concorreu o salutar aumento nas importações de bens de capital e produtos intermediários que ajudou a modernizar a indústria local e permitiu-lhe capacidade para competir nos mercados externos. De modestos níveis de importação em 1989 (US$ 551,6 milhões), o Ceará importou US$ 1.038,6 milhões em 2006, alcançando marca de US$ 1.558,4 milhões em 2008.
Outro elemento importante na estratégia de internacionalização do Ceará foi a formação de um segmento turístico com grande poder multiplicador de renda e emprego. A criação da secretaria estadual do turismo (em 1995) e a formulação de política para o setor levaram o Ceará a se tornar um importante destino do turismo internacional. O Ceará conseguiu em tempo recorde expandir o ingresso de turistas estrangeiros, que saltou de 38 mil visitantes em 1995, para a marca de 222.000 em 2008. De 1995 a 2008, o PIB do turismo mais do que duplicou sua participação no PIB cearense, passando a 13,6% do total no último ano.
O sucesso alcançado pela reforma fiscal do Ceará levou a uma sólida credibilidade financeira e a um fluxo contínuo de captação de empréstimos externos junto a organismos financeiros internacionais, a exemplo do Banco Mundial e BID e de agências bilaterais da Alemanha (KfW) e do Japão (JBIC) para financiar projetos de investimento em infraestrutura física e social. De 1989 a 2009, o Ceará contratou diretamente (com aval da União) 25 operações de crédito externo no valor total de US$ 1,97 bilhão, aportando pelo menos mais um terço disso em contrapartida local e consolidando uma das maiores carteiras de empréstimo internacional dentre os Estados brasileiros.
Após duas décadas de bem-sucedida estratégia de modernização e progresso material e social, parece que o Ceará se encontra em certa fadiga e novamente à espera das iniciativas do Governo Federal. Urge, portanto, o Ceará rever esse estado de aparente apatia e buscar retomar uma estratégia própria de desenvolvimento. Para tal, cabe restabelecer a ênfase na internacionalização de sua economia por meio do restabelecimento de um sistema de para-diplomacia (uma secretaria internacional e uma efetiva agência de promoção de exportação) para promover a articulação com resto do mundo, de modo a potencializar suas exportações e o turismo estrangeiro, atrair mais investimentos diretos externos e avançar ainda mais na captação de recursos e assistência técnica de organismos internacionais.
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*José Nelson Bessa Maia é economista, mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), ex-assessor internacional do Governo do Ceará (1995-2006) e doutorando de relações internacionais na UnB.
Fonte: O Povo
Dr. Francisco Eugenio Montenegro ( Fibra Engenharia)

Constituição de Células

A Utilização das Curvas de Aprendizagem

Apliação do Sistema Kanban

O Conseito Plug And Play
Cabotagem brasileira
Por Samir Keedi*
Todos que militam no transporte e logística no país conhecem nossas dificuldades. Que não são poucas. É sabido que temos uma matriz de transporte inadequada às nossas necessidades. Em que o modo rodoviário é predominante no transporte interno de mercadorias. O que faz da nossa logística um item extremamente caro.
Para isso, algumas ações têm sido implementadas nos últimos anos. Desde a abertura econômica introduzida em 1990. Tivemos uma nova abertura dos portos, bem como aeroportos e pontos de fronteira. De forma a permitir uma mudança na estrutura logística brasileira.
Uma delas foi a transferência das operações portuárias à iniciativa privada, através da Lei 8.630/93. Com isso, tivemos um aumento da nossa capacidade de operação, bem como de produtividade. Passamos de 5/8 operações de containers por hora para 40 movimentos em média. E com o Tecon-Santos com capacidade de 55 operações, a caminho de 90. Em que já se fez 110 em embarques isolados. E com redução do custo de operação de US$ 600.00 para cerca de US$ 250.00 por movimento. Em relação ao mundo, ainda há muito a melhorar.
Isso permitiu o renascimento da cabotagem em águas brasileiras. Com custos operacionais menores, e com a agilização dos embarques e desembarques, o transporte de mercadorias pela costa marítima brasileira foi viabilizado. Em especial que os portos podem cobrar menos do que no transporte de longo curso, aquele entre países. Tudo para incentiva-lo. Que além de mais barato que o rodoviário, ainda compete com ele na capacidade, na poluição e nos congestionamentos.
E a cabotagem não decepcionou. As empresas brasileiras entenderam o “novo” transporte e o incentivaram. Por isso tornou-se o modo que mais cresce. Em meados da década de 90 não se embarcava containers. Em 1999 o total situou-se em 20.000 TEU – twenty feet or equivalent unit (unidade de 20 pés, equivalente a 6,09 m). em 2009 algo como 500.000 TEU.
Mas, precisamos incentivar mais a cabotagem. Precisamos substituir o veículo rodoviário. Que este se situe na sua faixa lógica de operação. Que é a de distribuição de carga. E o transporte em pequenas distâncias, de máximo uns 500 quilômetros. Bem como a posição de vedete do transporte, como auxiliar dos demais modos nas operações de intermodalidade e multimodalidade.
Mas, para isso, entendemos que precisamos ter fretes ainda mais baratos do que os atuais. A diferença com o rodoviário precisa ser contundente. Tem que chamar a atenção dos empresários. O frete precisa ser de tal forma vantajoso que estabeleça um novo padrão para nossa matriz de transporte. Ela tem que se tornar de padrão internacional. Com menores custos, toda a economia ganha. Com produtos mais baratos, teremos mais consumo, mais produção, mais emprego, etc.
Além da criação de mais empresas brasileiras de navegação, ou crescimento da oferta das atuais, entendemos que temos à mão um instrumento extra para utilização. Que são as empresas estrangeiras de navegação. Se elas já servem a costa brasileira com a navegação de longo curso, o que estamos esperando? Temos que permitir que elas também façam cabotagem, embarcando e desembarcando cargas nos portos que operam normalmente. Como as empresas já existem, como os navios já estão no tráfego, e como, certamente, existe espaço, teríamos um barateamento dos fretes. Portanto, só temos que utilizar a estrutura que já existe.
Certamente teríamos o argumento de que estaríamos nas mãos de empresas estrangeiras. Quanto a isso, não seria nenhuma novidade. Isso já existe hoje com as empresas ditas “nacionais”. E isso ocorre em toda economia brasileira. Também de que elas poderiam sair do país ou deixar de fazer a operação. Achamos que é um argumento falho. Há quantos anos todas essas empresas estrangeiras estão no país, sem deixa-lo? Ninguém deixa o que é vantajoso.
Alguém poderia argumentar que isso não existe em nenhuma parte do mundo. Ok, argumento válido, porém falacioso. Temos muitas coisas que o Brasil faz que não existem em nenhuma parte. Seria apenas mais uma, com ampla vantagem.
Se o Brasil costumasse seguir o restante do mundo, teríamos uma matriz de transporte completamente diferente. Com o predomínio do transporte aquaviário e ferroviário. Teríamos taxas de juros como no restante do planeta, sem tê-la como a mais alta do mundo, bem distante das demais existentes. Teríamos uma carga tributária condizente com nosso desenvolvimento, em que a renda disponível permitiria mais consumo. Teríamos investimentos bem maiores do que o que temos. Portanto, se já somos diferentes em tudo, isso seria apenas mais uma diferença. E para melhor.
*Samir Keedi économista, professor da Aduaneiras e universitário, e autor de vários livros em comércio exterior.
e-mail: samir@aduaneiras.com.br
Nova ordem global
Por: José Nelson Bessa Maia

Desde o fim da Guerra Fria, no início dos anos 90 do século XX, uma série de transformações vem ocorrendo no cenário mundial, alterando de forma rápida a configuração de poder econômico e político entre os estados-nação, com repercussões que se propagam nos âmbitos do comércio, segurança, meio ambiente e finanças, acelerando movimentos transnacionais, inserindo novos atores não-estatais e subestatais, gerando distintas formas de poder e impondo novos desafios à governança global. Nesse contexto, torna-se obsoleta a noção de uma linha divisória entre os países ricos e desenvolvidos do Norte e os países pobres e em desenvolvimento do Sul, que foi por muito tempo um conceito central entre cientistas sociais, analistas econômicos e formuladores de políticas. Essa divisória perdeu o sentido em meio ao dinâmico processo de globalização em curso que resultou em níveis inéditos de crescimento econômico e interdependência entre as nações, cujas disparidades levaram a um mundo muito mais complexo e diferenciado.
Na literatura de Relações Internacionais, os emergentes são países não-desenvolvidos que estão passando por rápidas mudanças estruturais (industrialização e melhoria no bem-estar) e institucionais e, portanto, em fase de transição para a condição de nações desenvolvidas ou avançadas. Os exemplos de mercados emergentes incluem os grandes países continentais, vários outros do Sudeste asiático, Europa Oriental, e em partes da África e da América Latina. Na verdade, países emergentes são um termo cunhado, em 1981, pelo economista Antoine Van Agtmael, do Banco Mundial, para denominar países com economias de mercado que mantinham crescimento econômico sustentado, com reformas modernizantes, o que lhes possibilitaria chegar ao status de nações desenvolvidas. Nos últimos anos, surgiram novos termos e critérios para descrever os maiores países em desenvolvimento, como a sigla BRIC, criada, em 2001, pelo economista Jim O´Neill do Banco Goldman Sachs, para designar os quatro países: Brasil, Rússia, Índia e China, os quais, conforme projeções demográficas e econômicas, poderiam em conjunto se tornar a maior força na economia mundial antes de 2050. Estes países são heterogêneos e com interesses díspares, mas estão desempenhando um papel crescente e promissor na economia e na política mundial.
É difícil definir uma lista dos países emergentes devido à heterogeneidade dos países que estão registrando alto desempenho econômico. Uma das listas mais utilizadas é a do Banco Morgan Stanley que inclui como emergentes 28 países. No entanto, a mais significativa é a lista dos 11 emergentes que compõem o chamado Grupo dos 20 (G-20), um fórum de cooperação e de consulta sobre assuntos financeiros internacionais, que abrange os principais países do mundo no campo da economia, desenvolvidos e emergentes. Esses países são África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia. Juntos, esses 11 países emergentes abrangem 33% da superfície e 51% da população terrestre, gerando um quinto do PIB mundial, 25% das exportações, bem como 48% do estoque de reservas cambiais do planeta. O peso econômico e ampla representação desses países emergentes no G-20 dão-lhe um elevado grau de legitimidade e influência sobre a gestão da economia e o sistema financeiro globais.
As economias emergentes têm registrado na última década crescimento econômico sustentado sem precedentes, que os capacita a complementar ou mesmo substituir os países avançados como forças motrizes da economia mundial. Esses países, beneficiários da globalização seriam, pois, um grupo vasto e difuso de países - em tamanho, geografia, cultura e política - que teriam aprendido a se integrar de forma crescente na economia global, e também a influenciá-la, para catalisar o seu próprio desenvolvimento. Desse modo, as potências tradicionais precisam acomodar a ascensão das economias emergentes - em particular, China, Índia e Brasil - reformando a ordem internacional vigente. Os países avançados continuariam sendo protagonistas globais, mas à medida que aumenta o poder econômico dos países emergentes, estes demandariam um papel de maior destaque nas decisões internacionais.
No rescaldo da crise econômica e financeira atual, os EUA, a Europa e o Japão ficaram seriamente abalados e endividados, o que vem a acelerar a passagem do centro de gravidade da economia internacional para um mundo policêntrico. As implicações disso são duplas. Por um lado, o Ocidente tem de perceber que para avançar a sua agenda de bens públicos globais, particularmente em termos de combate às mudanças climáticas, a pobreza mundial, o crime organizado e o terrorismo terá de envolver os países emergentes como parceiros iguais. No entanto, ao fazê-lo, deve proporcionar a esses países uma voz nas
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