
Última atualização: 11/06/10 às 16h55
A Câmara Municipal de Fortaleza realizará uma sessão solene para celebrar os 391 anos da nomeação do capitão-mor da Capitania do Ceará Martim Soares Moreno. O evento acontecerá no dia 14 de junho, às 9h30 e faz parte das comemorações cearenses referentes ao “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” – que é celebrado nos 10 de junho.
Para quem não conhece a história do Capitão-Mor, patrono da 10ª Região Militar e um dos ícones na construção de todo o legado da capital cearense, vale dizer as informações do pesquisador Adauto de Leitão Junior. Conforme explica, “Martim Soares Moreno, com 406 anos de memória, deve ser reconhecido como construtor da História. Um ator que transcendeu o personagem militar, se ‘misturou’ com o povo, foi amante de Iracema e edificou o marco zero de Fortaleza na Barra do Ceará – onde ele chegou e tudo começou”, afirma.
*Saiba mais sobre a vida do Capitão–Mor:
Foi nomeado em 1619 por Carta patente Del Rey Felipe II, o 1º Capitão-Mor da Capitania do Ceará (391 anos). Muitos o consideram “Fundador do Ceará”. É melhor saber que sempre esteve sediado na Barra do Ceará, desde a “1ª Tropa” instalada à margem do Rio Ceará, consórcio de Pero Coelho, onde fez parte da pioneira empresa que erigiu – O Marco Zero de Fortaleza (406 Anos) - o “Fortim de Santiago”, em 25 de julho de 1604.
Em 1612, já sob seu comando, ampliou e o renomeou “Forte de São Sebastião”. Obra reconhecida até pelos holandeses (F. Post, e G. Barleus; Amsterdã, 1645), considerada: “A Fortaleza de Soares Moreno”. O grande feito é relembrado ao denominar o tradicional e popular Mercado São Sebastião (criado em 1848).
Martim Soares Moreno – militar luso da “Ordem de Sant’Iago da Espada”, nasceu em Santiago do Cacém-Portugal (1586 - 1652). A memória militar o tem gravado na heráldica da 10ª Região Militar – ao centro por sua “cruz-espada de Santiago” envolta à planta de “4 pontas - espadas” do primeiro “forte de Santiago da Barra do Ceará” - e do próprio nome: “Região Martim Soares Moreno”.
Em 1621 requisita à Coroa uma imagem mariana; já em 1622, instalando-a de Nossa Senhora da Assunção – eleita a Padroeira católica de Fortaleza – onde, na Barra do Ceará, existe o seu Santuário (388 anos).
“Pela Mãe de Jesus protegida, Fortaleza és a Flor do Brasil”. Desde 1654, o legado militar e a fé popular consagrou o “elo Barra – Centro” denominando a: “Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção”. A Arquidiocese de Fortaleza revitalizou a memória da tradição mariana da Barra do Ceará com a “Caminhada com Maria” (criada em 2003).
É reconhecido como um verdadeiro amigo dos Indígenas – imortalizado no romance Iracema de José de Alencar. Enlace que transcende o tempo no Hino de Fortaleza: “A Iracema lembrando o guerreiro, De sua alma de virgem senhor”.
Além do hino oficial da capital que diz: “Junto à sombra dos muros do forte, A pequena semente nasceu” – o seu pioneirismo edificador e militar são reafirmados pelo mesmo autor Antonio Gondim, que o cita no singular hino em defesa da primazia histórica da “Barra do Ceará – De Soares Moreno, Marco da História” (criado em 1968).
Já em 1611, Soares Moreno traz a Raça Negra ao povoamento da Barra do Ceará formando a nossa gêneses étnica (399 anos). O povoamento inter-racial da Barra do Ceará, sempre presente na evolução de Fortaleza, abrigou por ordem da Coroa a Sede do Legislativo da 1ª Câmara Municipal em 1701 (309 anos). Martim Soares Moreno primus inter pares!
*Texto cedido gentilmente pelo pesquisador Adauto de Leitão Jr.