Se as telecomunicações são um dos negócios de ouro no Brasil, o imobiliário não lhe fica atrás. O seu potencial no país é tão elevado que pode mesmo tornar-se "um dos carros-chefes da economia", afirmou o presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT Brasil), Felipe Cavalcante. Os números confirmam esta expectativa: até 2030 estima-se que se construam 1,5 milhões de casas por ano para fazer face aos 35 milhões de novas famílias que vão surgir no Brasil. "E isto sem contar com as pessoas que querem mudar para uma casa melhor", sublinhou.
Um filão a que as empresas portuguesas, como a Teixeira Duarte, o Grupo Espírito Santo e o Banif, estão atentas. A construtora planeia a entrada na hitelaria e turismo, com a construção de um primeiro hotel já este ano e o Grupo Espírito Santo vai reforçar os projectos no segmento de luxo. Para consolidar os seus projectos no Brasil, também o Banif prepara a criação de uma ‘holding' para reunir os investimentos imobiliários.
De acordo com os agentes do mercado imobiliário contactados pelo Diário Económico, o interesse tem vindo a crescer nos últimos anos, altura que coincide com a quebra do mercado imobiliário em Portugal - e isto tanto da parte das empresas que já operam no Brasil, como dos investidores que só agora despertaram para aquele mercado.
"Nota-se que os empresários portugueses estão à procura de alternativas e há um interesse crescente no Brasil", adiantou ao Diário Económico o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, António Burstoff.
De acordo com este responsável, apesar de não haver estatísticas de quanto cresceu o investimento no último ano, o aumento do interesse mede-se pelo crescimento do número de pedidos e de associados. "Estamos agora com 160 associados, o que representa um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. E, quanto a solicitações, há dois anos tínhamos cerca de duas por mês. Agora temos, em média, uma por dia", reparou o presidente da CCILB.
Para António Burstoff e Felipe Cavalcante, o programa do governo federal brasileiro ‘Minha Casa, Minha Vida' (ver caixas ao lado) tem sido um dos principais motores deste interesse. E há várias empresas portuguesas que estão a aproveitar os seus benefícios.
Fonte: Económico em 04.08.10