Uma parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Corporação Interamericana de Investimentos (CII), braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), irá contribuir para que as empresas do Ceará, Pernambuco e Paraíba identifiquem os problemas que dificultam o acesso ao crédito e melhorem, de um modo geral, a gestão empresarial.
A parceria entre as instituições resultou no Programa Financiamento Inovador de Empresas de Pequeno e Médio Porte (Finpyme), que será lançado hoje (1º), pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI). O lançamento ocorrerá às 13 horas, na Casa da Indústria, e contará com a presença de representantes do BNDES, do BNB e da CNI. O encontro busca a interação dos convidados com a equipe da CII, que estará na capital cearense para apresentar o Programa.
O Finpyme, que será executado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), terá recursos de US$ 300 mil e beneficiará inicialmente 120 empresas nos estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco até o fim de 2013. O Programa implementa uma metodologia de identificação e diagnóstico de empresas para melhorar a posição competitiva, bem como o acesso a fontes de financiamento a seus projetos de expansão. Ceará, Paraíba e Pernambuco fazem parte dos estados-pilotos da iniciativa e servirão de exemplo para outras unidades federativas do país.
“O objetivo é que os empresários despertem o interesse para a melhoria da gestão empresarial no sentido mais amplo. As empresas devem buscar uma gestão de layouts, produtos e inovação, além da gestão financeira. Para isso, o diagnóstico servirá para norteá-las rumo a melhor rentabilidade, competitividade e acesso ao crédito”, diz o diretor geral do INDI, Carlos Matos.
40 EMPRESAS NO CEARÁ
No Ceará, o Programa será aplicado nos sindicatos patronais ligados à Fiec, quando serão identificadas as 40 pequenas e médias empresas que serão beneficiadas com a iniciativa. A parceria vai financiar, sem reembolso, os diagnósticos sobre as gestões das empresas. Na contrapartida, cabe às empresas aceitarem as sugestões e aplicá-las devidamente no cotidiano. Todo o processo terá a duração entre oito e nove meses.
“Entendemos que o Programa é uma iniciativa integral de serviços de alto valor agregado que garantirá o crescimento das pequenas e médias empresas de forma sustentável, abrindo portas ao conhecimento, à tecnologia, aos mercados e ao financiamento”, afirma Carlos Matos.
DIFICULDADES
De acordo com o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, dentre os principais problemas para as empresas obterem empréstimos para capital de giro ou investimento está a falta de organização, sobretudo, na contabilidade e nas finanças. “Essa organização é necessária para dar mais segurança ao agente financeiro, o que facilita o empréstimo”, explica Fonseca.
Segundo ele, além de verificar se estão bem estruturadas para pedir financiamentos, as empresas identificarão os tipos de créditos mais adequados às suas necessidades. Fonseca destaca que é comum, por exemplo, empresas obterem recursos para capital de giro quando há crédito mais barato voltado para investimento. “O intuito é entender o problema das empresas e auxiliá-las em mudanças de políticas e procedimentos que facilitarão a obtenção de recursos”, diz.
REQUISITOS
As companhias a serem selecionadas deverão cumprir os requisitos de estarem em pleno funcionamento no Ceará com três anos de operação, e, de preferência, com balanços financeiros auditados por consultorias independentes. Devem possuir ainda um faturamento anual de no mínimo US$ 500 mil. Estão excluídas aquelas que atuam nos ramos bélicos, tabaco, materiais radioativos, fibras de amianto não aglutinadas e com produtos sujeitos à retirada escalonada. Além disso, devem funcionar em conformidade com as leis locais referentes aos padrões ambientais e de segurança do trabalho. Após a identificação, as empresas vão assinar um termo de adesão ao Finpyme.
O objetivo da CNI é estender o projeto para os demais estados e o Distrito Federal, a partir de parcerias com outras instituições financeiras, como o BNDES, que já mostraram interesse na iniciativa. No futuro, a CNI também ajudará empresas a resolverem os problemas apontados nos diagnósticos e desenvolver projetos para obtenção de recursos com agentes financeiros. Além disso, o Programa deverá ser incluído nos serviços de consultoria prestados pelos núcleos de acesso ao crédito que serão instalados em federações de indústrias a partir deste ano.
Fonte: Jornal O Estado do Ceará em 01.02.12