O Brasil ainda vai demorar um pouco para incluir a energia solar na sua matriz energética, mas, para estimular seu uso, o governo poderá incluir usinas movidas com esse tipo de energia em futuros leilões, informou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.
Ainda em debate interno no governo, a entrada da energia solar no País foi alvo de um estudo da EPE que analisa cenários possíveis para sua instalação. Em todos, a conclusão é que o País tem uma grande vocação, mas os preços ainda são proibitivos. "Ainda não é viável, mas as possibilidades estão mais próximas", disse Tolmasquim.
Nas simulações feitas pelo estudo, sem nenhum subsídio para a energia solar em residências, a chamada energia distribuída, hoje custaria R$ 602 o MWh (megawatt-hora) -o da energia hidrelétrica custa R$ 108. Com financiamento do BNDES, o valor cairia para R$ 585 e, sem o pagamento de tributos como PIS e Cofins (já é isenta de IPI e ICMS), para R$ 549. Já com o estímulo de desconto de 30% no Imposto de Renda, como é feito em alguns países, o preço iria para R$ 465, ainda assim bem acima do valor da energia gerada por hidrelétricas.
Já no caso da geração centralizada, ou feita por usinas, o preço inicial seria de R$ 405 por MWh. Com incentivos, chegaria a R$ 302, quase o triplo do preço da energia hoje. "Mesmo se houvesse um leilão, ainda não seria muito viável hoje, mas eventualmente pode haver alguém com infraestrutura que lhe dê condições de concorrer", avaliou Tolmasquim, considerando "muito cedo" a energia solar nos leilões de energia do governo em 2013.
Segundo Tolmasquim, a inserção de usinas de energia solar em futuros leilões será um "teste" para o preço e, assim como ocorreu com a eólica, pode surpreender. "Tem gente que fala que consegue preço menor do que esse (R$ 405 por MHh)". Ele descartou um leilão específico para energia solar.
Fonte: Diário do Nordeste em 04.07.12