Quem conhece o município de Paraipaba no litoral cearense e, mais especificamente, a Praia de Lagoinha chega facilmente à conclusão de que esta região se prepara para tornar-se mais uma referência no setor turístico brasileiro. Com visual paradisíaco, praias lindas e propícias para o banho, o local também se destaca por contar com serviço de receptivo preparado para receber os visitantes.
Quem vem construindo história por lá é a Marbello Prasa Empreendimentos Turísticos S.A. Proprietária exclusiva de uma área de frente para o mar com 11 km de extensão, a empresa vem redesenhando o local com a criação de um complexo hoteleiro e residencial que vai oferecer aos turistas mais uma opção de lazer de alto padrão no Ceará.
Aliada à experiência da LD Urbanismo – a mesma que participou do projeto Alphaville Fortaleza – e do Grupo Espanhol Prasa (há mais de 40 anos no mercado da construção civil espanhola), a Marbello vem concretizando sonhos e alcançando metas grandiosas com o empreendimento que vai mudar a rotina dos paraipabenses.
“Mas, para tanto, não ousadia apenas. É preciso visão de negócio e, acima de tudo, muito trabalho”, destaca o empresário Luciano Cavalcante. Responsável pela Marbello, Cavalcante esteve recentemente numa Missão Empresarial no Oriente – passando pelo Líbano, Jordânia e Israel. A iniciativa contou com a adesão de 36 representantes de diversas instituições brasileiras e foi organizada pela Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci) do Brasil junto ao Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Secovi-SP).
Confira, nesta breve entrevista cedida à equipe do Boletim da Câmara Brasil Portugal do Ceará (CBP-CE), a visão do empresário Luciano Cavalcante sobre a Missão ao Oriente.
Câmara Brasil Portugal do Ceará: Quem é a Fiabci e o que ela oportuniza aos seus participantes?
Luciano Cavalcante: É uma entidade fundada depois da Segunda Guerra Mundial, com sede em Paris e delegações espalhadas em diversos países, que teve como função a reconstrução das cidades destruídas após a Grande Guerra. Hoje, ela trata de diversos assuntos referentes à construção civil e meio ambiente, congregando toda cadeia do mercado imobiliário. Sou filiado à Fiabici do Brasil desde 1994, quando estive no Congresso Mundial em Chicago e pudemos conhecer os prédios mais modernos dos Estados Unidos naquela época. Estes congressos mundiais são realizados anualmente e em diferentes cidades. Depois de Chicago, fomos a Paris, Tokyo, Londres, Sevilha, Dublin, Barcelona, Amsterdan, Dubai, Pequin, Oslo, Moscou, Bangkok entre outras. O próximo será em Bali. Estas viagens sempre são organizadas e programadas, inclusive com visitas técnicas e jantares nas Embaixadas Brasileiras e são excelentes momentos para troca de experiências e abertura de frentes visando, também, novos negócios.
CBP-CE: O que chamou atenção e fez com que despertasse na delegação o interesse pela visita ao Oriente Médio?
LC: A última vez que a delegação brasileira esteve em Tel Aviv foi no ano de 1993. Curiosamente, grande parte da delegação que esteve no Oriente Médio é formada por descendentes de libaneses. Um dos desejos era conhecer um pouco da história dos seus avós e também a região – que é o berço da civilização e carrega toda a história das religiões católica, judaica e muçulmana.
CBP-CE: Mas pessoas como os membros desta delegação não são turistas que viajam apenas por lazer. O que chamou sua atenção durante as visitas técnicas?
LC: Tivemos a oportunidade de visitar a empresa Solidere, em Beirute - que é responsável pela reconstrução da cidade. Ficamos fascinados com o auto grau de profissionalismo e mudança construída por esta empresa genuinamente libanesa, com capital de US$ 12 bilhões, ou seja, o dobro do capital da maior incorporadora brasileira. Na Jordânia tivemos oportunidade de ver o desenvolvimento do turismo na cidade de Petra e a modernização da capital Aman. Em Israel, fomos recebidos por empresas especializadas na dessalinização da água do mar e de energia solar, que exportam esta tecnologia para o mundo todo - inclusive enviou recentemente dessalinizadores para o Haiti. Também passamos por um grande projeto desenhado pelo Phelip Starck, em Tel Aviv, cujos preços por metro quadrado de apartamento chega a US$ 20 mil.
CBP-CE: No Brasil, fala-se muito do boom imobiliário em função do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Um país que busca crescer deve investir no setor imobiliário com cautela ou com mais ousadia?
LC: No Brasil há espaço para grandes investimentos. Nunca presenciei um momento tão favorável que estava inerte a, aproximadamente, 25 anos. O Líbano tem uma população de três milhões de habitantes, existem seis milhões de descendentes de libaneses no Brasil e no Canadá sete milhões. Nosso mercado é muito grande. Estivemos em Dubai em 2004. Eles vendiam um oásis no Oriente Médio que estava no centro do mundo, a doze horas de Tokyo e de Nova York. Não tinham o mercado ávido por moradias como o nosso e tentavam vender uma Disneylândia para gente adulta em Dubai, atraindo o mercado do mundo todo.
CBP-CE: Para você, como ficou a visão do empresário que atua neste setor de construção depois da crise dos EUA, que se originou no ramo imobiliário?
LC: A crise nos EUA foi exemplo para muitos de como não se deve trabalhar e explorar o mercado imobiliário, inclusive usando um bem de raiz para desenvolver o chamado subprime para financiamento de supérfluos. Fora a crise norte-americana, estamos acompanhando a crise na Europa, principalmente nos mercados portugueses e espanhóis - que construíram o dobro que o mercado tinha condição de absorver nos últimos 10 anos. É preciso ter sempre muito cuidado pois são investimentos altos e de grande risco. Não se pode jogar para perder.
Redação: Rodrigo Coimbra (MG 10008 JP)
Jornalista Responsável: Mauro Costa (CE 01035 JP)
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Fonte: CBP-CE em 03.03.10