Hélia Ventura
Belo Horizonte - A Eurocâmara de Minas Gerais vai trabalhar para que as exportações do estado passem a incluir produtos de maior valor agregado. “Queremos mudar o perfil das exportações mineiras, atuando para que elas deixem de ser prioritariamente commodities como são hoje”, disse, na noite de ontem, o presidente da Eurocâmara de Minas Gerais, Giacomo Regaldo, em entrevista ao Portugal Digital, minutos antes da apresentação da nova entidade ao mundo empresarial e político em Belo Horizonte, durante solenidade na Assembleia Legislativa.
O trabalho envolve uma estratégia que já vem sendo posta em execução e que visa a captação de negócios na área de tecnologia, com o objetivo de fazer com que o Estado possa desenvolver produtos mais elaborados. “ Hoje, temos por exemplo o café, que é exportado em grãos. Mas por que não vender o produto industrializado? Vamos trabalhar para isto”, disse Regaldo.
O presidente da Eurocâmara também anunciou que a entidade quer tornar Minas Gerais mais conhecida internacionalmente, mais especificamente no mercado europeu, onde o estado ainda tem pouca visibilidade. “ O que a maioria dos europeus conhece do Brasil ainda está restrito ao Rio de Janeiro e à Bahia, pelo carnaval e as mulheres bonitas, e a São Paulo, pela produção industrial. Precisamos mudar esse quadro”, disse.
A criação da Eurocâmara, que reuniu em um só bloco as quatro câmaras de países europeus atuantes em Minas Gerais (Itália, Portugal, França e Alemanha) busca uma maior sinergia para ganhar o mercado europeu como um todo e não apenas a União Europeia, embora este seja o de maior foco. A meta é também atrair para Minas câmaras de outros países do velho continente. Em seu discurso, Giacomo Regaldo disse que a entidade já foi sinalizada como o interesse da Bélgica e a formalização é aguardada para os próximos dias.
Sinergia que favorece
“O mundo atual sinaliza que precisamos atuar de forma integrada. Juntos somos melhores do que individualmente”. Este é pensamento do presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil-Minas Gerais, Fernando Meira Dias, ao analisar a importância da Eurocâmara.
“O trabalho em conjunto cria uma sinergia que favorece todos nele envolvidos. Todas as quatro câmaras irão trabalhar juntas e todas vão se beneficiar com este trabalho”, disse Fernando Meira Dias ao Portugal Digital. A par disso, cada uma das quatro entidades continuará mantendo sua individualidade, focada nas atividades que já desenvolve isoladamente.
Segundo o presidente da Câmara Portuguesa de Minas Gerais, o Brasil vem sendo notado na comunidade internacional, graças a sua economia firme. “Com a crise, todos estão batendo à porta do país para firmar parcerias. A Europa vê o Brasil como um mercado promissor em todos os sentidos”, disse, salientando as carências que o Brasil ainda apresenta em diversos setores, como nas áreas de infraestrutura, tecnológica e outras, o tornam atraente, principalmente diante das dificuldades que as grandes potências enfrentam no atual cenário ainda pouco favorável para suas economias.
Mandato
Giacomo Regaldo assumiu a liderança da Eurocâmara por um ano. O próximo a ocupar a presidência será Fernando Meira Dias. Depois dele, será a vez de Hans Kampik, presidente da Câmara Alemã de Minas Gerais e, em seguida, de Vincent Reigniee, presidente da Câmara Francesa. Todos terão mandato de um ano.
Fonte: Portugal Digital