É tempo de olharmos para os empresários das comunidades portugueses no mundo como uma dimensão activa da nossa acção externa e interna. De facto, no quadro da globalização em que cada vez mais vivemos, uma língua e uma cultura comuns, partilhada por uma vasto conjunto de comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, que ascende a cerca de cinco milhões de concidadãos, constitui no plano empresarial e da economia, um importante activo que importa valorizar.
As nossas redes diaspóricas comportam no seu seio importantes comunidades empresariais, em muitos casos bem entrosadas nas economias nos países de acolhimento, mas que, de um modo geral, mantém relações pouco intensas com o seu país de origem, particularmente com a sua vida económica e empresarial portuguesa. Diga-se, também, em abono da verdade, que nunca foram estimuladas a fazê-lo. É esta situação que urge inverter.
É por isso que faz todo o sentido e se afigura de grande alcance estratégico, a iniciativa NETINVEST, recentemente aprovada pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), dando corpo a uma "Parceria para o Investimento e para os Mercados com os Empresários das Comunidades Portuguesas". Trata-se da primeira política pública dirigida às comunidades empresariais portuguesas no mundo, que tem como missão estabelecer com estas uma nova relação de confiança. A iniciativa NETINVEST tem instrumentos que permitem potenciar esta aproximação dos empresários das comunidades portuguesas à economia portuguesa e à sua vida empresarial. Realçam-se dois instrumentos: primeiro, a criação de um "balcão único", uma espécie de "via verde" para a entrada dos projectos dos empresários da diáspora que pretendam investir em Portugal, a título individual ou em parceria; em segundo lugar, a iniciativa NETINVEST prevê que no quadro dos incentivos existentes ao abrigo QREN, se venha contemplar concursos periódicos para apoiar a criação de empresas em Portugal protagonizadas por empresários das comunidades portuguesas. No mesmo sentido, será dinamizada, através de meios adequados, incluindo um Portal especializado, a partilha de informação relevante sobre oportunidades de negócio, incentivos e projectos com interesse para os empresários das comunidades. Procura-se, deste modo, suprir uma das principais lacunas existentes, justamente o acesso à informação atinente à vida empresarial em Portugal.
Há semelhança do que acontece nos países de acolhimento, temos todas as razões para acreditar que as comunidades empresariais portuguesas no mundo, se devidamente estimuladas, poderão desempenhar um importante papel na vida empresarial portuguesa. Para tanto é necessário desenvolver uma adequada estratégia de networking, potenciadora de redes de informação, de contactos, de investimento e de negócio. Aliás, existe ainda uma forte lacuna no que se refere à cartografia dos empresários das comunidades portuguesas da diáspora. Portugal ainda gere esta relação com pouca informação, justamente porque nunca teve uma política dirigida aos empresários das comunidades portuguesas. É uma situação que tem que ser alterada, pois é necessário saber quem são, onde estão e o que fazem os empresários das comunidades portugueses no mundo. Só assim será possível valorizar convenientemente a rede dos empresários das comunidades portuguesas.
Na economia global que é também uma economia baseada no conhecimento, é essencial para Portugal valorizar o imenso capital social das comunidades portuguesas, implementando as mais diversas iniciativas, por forma a relevar e dar a conhecer os seus talentos, as suas valias, o seu potencial empreendedor. Na economia do conhecimento, os talentos, sejam eles de natureza empresarial ou outra, são o principal recurso diferenciador, e por natureza escasso. Nos mais diversos planos: cientifico, cultural, artístico, empresarial há um mundo de talentos portugueses. Portugal deverá, tudo fazer, para aproveitar esse potencial. Estou convencido que as estruturas associativas empresariais representativas (Associações Empresariais, Câmaras de Comércio, ...), onde se inclui naturalmente a CCILL, deverão ter, a este propósito, um papel catalizador de uma nova dinâmica de relacionamento em estreita articulação com as políticas e as autoridades públicas portuguesas.
André Magrinho
Adjunto do Presidente da AIP
26.04.2010
Fonte: Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL)