Diário do Nordeste
28 de maio de 2010
Egídio Serpa
Por falta de empresa a ZPE do Ceará não deixará de instalar-se na área do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Mas antes de pensar nas indústrias que se instalarão em sua Zona de Processamento para Exportação, o Governo do Ceará terá de conquistar junto ao Ibama e, principalmente, junto à Fundação Nacional do Índio (Funai), os atestados que faltam para provar que as terras onde a ZPE será instalada não pertencem a qualquer etnia. Não é tarefa fácil - que o diga a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece). De volta ao tema inicial, vale lembrar o que, há um ano, antecipou o ex-presidente da Adece, Antonio Balhmann: grandes e médias empresas brasileiras, com unidades industriais no Ceará, deverão tornar-se as pioneiras da ZPE do Pecém. Essas empresas, que já exportam para o exterior, saberão tirar proveito das vantagens fiscais e alfandegárias que uma ZPE concede. Na cabeça de Balhmann, estão de olho na ZPE a Grendene, gigante do setor calçadista brasileiro, e a Apex. A primeira se interessaria pela instalação de uma unidade de acabamento e embalagem dos seus produtos; a segunda construiria uma indústria para beneficiar e enlatar sardinha exclusivamente para o mercado externo. Zuza de Oliveira, sucessor de Balhmann, pensa da mesma maneira e já acelera contatos para que o setor do agronegócio também se aproveite da ZPE para incrementar suas vendas.
Livre Mercado
Para o deputado federal Mauro Benevides, foi o saneamento financeiro promovido pelo governador Cid Gomes que permitiu ao Estado do Ceará ter músculo hoje para obter do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a garantia de que poderá contar com US$ 1,3 bilhão para novos projetos nas áreas de saneamento básico (água e esgotamento sanitário) e transporte. Bem que a Coelce poderia imitar o exemplo da EDP do Brasil, sócia da MPX na construção da Usina Termelétrica de Pecém. A EDP Bandeirantes, que distribui energia em parte de São Paulo, inaugurou em Guarulhos sua primeira rede de abastecimento de veículos elétricos, instalando vários postos de recarga. E de quebra doou 15 bicicletas elétricas que serão usadas pela Prefeitura de Guarulhos na segurança da cidade. Ela já havia feito a mesma coisa em Vitória (ES) por meio da EDP Escelsa. Reparem: a Companhia Docas do Rio de Janeiro cederá ao Governo fluminense um terreno de 2 milhões de m², que será vendido à iniciativa privada para a instalação de um estaleiro naval. Tem mais: o Rio prepara-se para reabrir o antigo estaleiro da Ishibrás, que se chamará Inhaúma. O Brasil, dono da segunda maior encomenda mundial de navios, vai encomendar plataformas de petróleo.