Portugal Digital
10 de junho 2010
Da Redação
Lisboa - "Como avisei na altura devida, chegámos a uma situação insustentável. Pela frente, temos grandes trabalhos, enormes tarefas, inevitáveis sacrifícios". A afirmação é do Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva. Mas o comentário sobre a insustentabilidade do país não é partilhado pelo primeiro-ministro, José Sócrates.
"Estamos numa situação de dificuldade, como estão todos os países europeus, mas não estamos numa situação insustentável", reagiu o chefe de Governo, em declarações à imprensa após o discurso de Cavaco Silva no Dia de Portugal.
Mas não foi só em José Sócrates que Cavaco Silva encontrou resistência. O também socialista Manuel Alegre, que será candidato presidencial em 2011, concorrendo contra Cavaco Silva e com o apoio de Sócrates, referiu esta quinta-feira que "insustentável" foi "uma palavra a mais" na intervenção do Presidente da República.
O discurso de Cavaco Silva foi muito marcado por um apelo à coesão dos portugueses. Uma expressão repetidas várias vezes na mensagem transmitida a partir da cidade de Faro.
Cavaco reconheceu que vivemos um tempo "em que muitos portugueses temem pelo seu emprego, em que muitos dos que estão desempregados receiam não voltar a encontrar trabalho, em que os jovens se interrogam sobre o seu futuro".
"Mas não podemos ceder à tentação do desalento. Se o horizonte que avistamos é de dificuldades e de incerteza, mais razões temos para nos unirmos", disse Cavaco.
O chefe de Estado referiu que "a coesão nacional tem de ser também coesão social" e lembrou a campanha de recolha de alimentos feita há dias pelo Banco Alimentar, de Norte a Sul do País.
Cavaco disse também que "os sacrifícios que fazemos têm de ser repartidos de forma equitativa e justa e, mais do que isso, têm de possuir um sentido claro e transparente, que todos compreendam".
Sublinhando que "este não é um momento que se compadeça com crispações inúteis", Cavaco Silva apelou ainda à concertação entre trabalhadores e patrões. "A responsabilidade na procura de entendimentos que evitem rupturas no tecido social não compete apenas aos agentes políticos. Nestes tempos de incerteza é necessário, mais do que nunca, um contrato social de unidade e de solidariedade entre empresários e trabalhadores", afirmou o Presidente da República.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL