22 de junho
Lisboa - O presidente da mesa da assembleia geral de accionistas da Portugal Telecom (PT), Menezes Cordeiro, rejeitou o pedido dos espanhóis da Telefónica para que seja votada na próxima assembleia da PT uma proposta de distribuição adicional de dividendos de um euro por acção, no caso de a posição lusa na brasileira Vivo vir a ser vendida.
Para o próximo dia 30 está agendada uma assembleia extraordinária destinada a votar sobre a oferta apresentada pela Telefónica, que está disposta a pagar 6,5 mil milhões de euros pelos 50% que a PT tem na Brasilcel, a controladora da Vivo.
A Telefónica pretendia acrescentar na ordem de trabalhos desse encontro de accionistas um outro ponto, sobre o reforço da política de distribuição de dividendos. O objectivo é que, caso a saída da Vivo seja aprovada pela PT, a administração aplique parte do encaixe dessa venda na distribuição de um dividendo suplementar de um euro por acção.
Mas o presidente da mesa da assembleia considerou que a aceitação desse segundo ponto violaria várias normas portuguesas e da União Europeia. Segundo o entender de Menezes Cordeiro, os accionistas poderiam pedir a suspensão e nulidade da decisão da assembleia. "Em suma: haveria uma invalidade patente e inútil, com grande escândalo. Daí decorreriam graves danos para a sociedade e para a imagem nacional e internacional da Portugal Telecom", explica o presidente da mesa.
O mesmo responsável alerta ainda para a eventual punição legal dos administradores da PT se o segundo ponto fosse votado, violando a lei. "Independentemente das boas intenções da Telefónica, que não estão em causa, chegar-se-ia a um resultado contraproducente, gravemente contrário à imagem nacional e internacional da Portugal Telecom e aos interesses de todos os seus sócios".
Assim, os accionistas da PT irão no dia 30 votar apenas sobre se a administração deve ou não aceitar a oferta da Telefónica para ficar com a totalidade da Brasilcel e o controlo da Vivo. O presidente da PT, Zeinal Bava, já afirmou que "a Vivo não está à venda", tendo-se escusado a fixar um preço que a PT considere aceitável pela sua posição.
Além da Vivo, a Telefónica quer igualmente ficar com a brasileira Dedic, empresa de "call centers" que a PT controla no Brasil, mas cujo valor para uma eventual aquisição não está ainda acertado.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL