13 de julho 2010
Lisboa - A agência internacional Moody"s cortou a notação da dívida portuguesa em dois níveis, de "Aa2" para "A1".
A Moody’s considera que a solidez financeira do Estado português vai continuar a enfraquecer ao longo do médio prazo, tal como evidenciado pela deterioração contínua nos indicadores de dívida do País, como a dívida em percentagem do PIB e a dívida em relação à receita.
Segundo a agência, citada pelo Negócios Online, as perspectivas de crescimento para a economia portuguesa deverão manter-se relativamente débeis, a menos que as recentes reformas estruturais dêem frutos ao longo do médio a mais longo prazo.
O “outlook” está agora estável, com os riscos de descida ou subida da notação financeira a estarem equilibrados.
A acção de hoje da Moody’s dá por finda a “revisão para possível downgrade” a que a Moody’s deu início a 5 de Maio.
Nessa data, a Moody’s – que não alterava a classificação da dívida portuguesa desde 1998- alertou que poderia cortar o “rating” de Portugal em dois níveis, para “A1”, o que veio agora a acontecer.
No final de Abril, a Standard & Poor’s cortou o rating da dívida soberana portuguesa em dois níveis, de ‘A+’ para ‘A-’.
Por seu lado, a Fitch cortou a dívida portuguesa a 24 de Março, de ‘AA’ para ‘AA-’, mantendo um ‘outlook’ negativo.
"Não esperamos vir a alterar o rating"
A revisão de “rating” para Portugal terá provavelmente sido a última durante pelo menos durante algum tempo. “Portugal está agora com um Outlook estável, pelo que não esperamos vir a alterar o rating”, disse o vice-presidente da Moodys’, Antony Thomas, em declarações ao Jornal de Negócios.
Segundo Antony Thomas, “um ‘A1’ é uma notação elevada por qualquer tipo de meio razoável de medição” e reafirma que “não há qualquer comparação entre Portugal e a Grécia”.
Quanto às razões por detrás do corte, o responsável aponta para as fracas perspectivas de crescimento económica e a deterioração das contas públicas. “Vemos a economia a crescer cerca de 1,5% em média, o que é o mesmo que aconteceu no ciclo anterior”, diz. “O governo fez alguma reformas estruturais, mas não vemos ainda sinais dos seus impactos na taxa de crescimento da economia”.
O pacote de austeridade é aplaudido mas a Moody’s acredita que a dívida pública só irá estabilizar quando atingir os 90% do PIB. “Mesmo com os planos de consolidação, e olhando para os dados de dívida pública, achamos que a situação portuguesa é compatível, no médio prazo, com uma notação de risco de A e não de dois AA”, diz Thomas, citado pelo Negócios.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL