5 agosto 2010
por Alfredo Prado
Brasília - Radicado em Fortaleza, no Ceará, um dos estados com maior potencial turístico do Nordeste brasileiro, o executivo português Jorge Chaskelmann lidera um dos maiores projetos turísticos em desenvolvimento no Brasil, o Aquiraz Riviera, que reúne capitais brasileiros e portugueses.
Antes de assumir o comando do empreendimento, Chaskelmann, especializado em gestão turística e hoteleira pelo Instituto Superior Internacional de Gluion, na Suíça, e diplomado em marketing hoteleiro e turístico pelo Chicago City College, desenvolveu intensa atividade profissional em Portugal e nos Estados Unidos.
Agora, à frente do Aquiraz Riviera, Chaskelmann, que preside também à Câmara Portugal-Brasil no Ceará, manifesta a sua confiança no desenvolvimento turístico do Brasil, aponta deficiências, sugere soluções e, em entrevista ao Portugal Digital, diz também que falta ambição aos responsáveis pelo turismo português. Uma opinião de quem conhece bem o setor.
O Aquiraz Riviera é, atualmente, um dos maiores empreendimentos turísticos do Brasil. O desenvolvimento do projeto está a decorrer conforme o planejado ou a crise internacional teve algum reflexo no seu andamento?
O desenvolvimento e cronograma de obra do projeto tem algum atraso mas não põe em causa a realização do mesmo. As infraestruturas da primeira fase são concluídas em 30 de junho de 2011 e as da segunda fase a 1 de abril de 2012. O primeiro Hotel Dom Pedro Laguna estará concluído no final do ano e os primeiros nove buracos do campo de golfe já estão em funcionamento, prevendo para o segundo trimestre a conclusão dos 18 buracos.
Qual o investimento total previsto e qual o investimento já realizado?
120 milhões, dos quais já foram dispendidos a metade.
O golf é um bom investimento?
O golf é uma importante alavanca de qualidade para trazer o tipo de turista de alto padrão internacional, além de ser uma forma de criar um paisagismo muito agradável que valoriza o produto imobiliário, bem como uma forma de preservação da natureza e criação de fauna e flora naturais. Portanto, quantificar o golfe sob o ponto de vista de investimento puramente aritmético não reflete a realidade do investimento a médio e longo prazo.
Quem são os principais investidores?
Por parte do Brasil é o sr. Ivens Dias Branco, empresário cearense do setor de alimentação e construção. Por parte dos portugueses são o grupo Dom Pedro, com empresas na área turística hoteleira, o grupo Solverde, dos casinos do Algarve e hotéis incluídos no grupo de empresas Violas, do Norte de Portugal; finalmente, temos um fundo imobiliário representando um grupo de investidores portugueses, o Ceará Investment Fund.
A comercialização está a correr bem? A procura é mais de brasileiros ou de fora do Brasil?
A primeira fase das vendas dos 312 lotes unifamiliares teve um grande sucesso junto do publico cearense, tendo sido adquirido 90% pelos locais.
A crise na Europa e nos EUA tem repercussão no setor turístico do Brasil?
Acho que sim, apesar de ter sido compensada pelo grande aumento do turismo interno na sequência da melhor capacidade da classe média brasileira para gastar em viagens fora da área das suas residências.
Que medidas, em sua opinião, deveriam ser tomadas?
A conjuntura não permite uma grande capacidade de manobra. A paridade do Real em relação ao Euro e Dólar torna o produto brasileiro bem mais caro e o custo das passagens aéreas internacionais é muito oneroso para um público europeu ou americano vir passar férias com o seu agregado familiar nos tempos atuais, em que as famílias são obrigadas a apertar bem o cinto das suas despesas. Acho que teremos de apontar para um turismo de alta qualidade mais imune a questões econômicas.
A promoção do Brasil como destino turístico é bem feita?
Hoje melhorou muito e através do trabalho da Embratur está com certeza no caminho certo.
Quais são as principais fragilidades do turismo brasileiro?
São as infraestruturas aeroportuárias, rodoviárias, a qualidade do serviço hoteleiro, que luta para ter uma mão-de-obra qualificada, que, apesar do exemplar trabalho do Senac, não dá para as exigências atuais do turismo internacional sofisticado.
O país está preparado para receber mega-eventos como a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016?
Para já não me parece, segundo as análises feitas pelos especialistas em todos os meios de comunicação.
O Nordeste brasileiro é uma das regiões do Brasil com maior potencial turístico. O nível de desenvolvimento do setor é satisfatório?
Não é, falta muita qualidade de hotéis de categoria e padrão internacional e as infraestruturas, como já referi.
O destino turístico Portugal é bem conhecido no Brasil? O que faz falta?
Um trabalho adequado e profissional de promoção turística sobre as potencialidades e diversidade de oferta turística. Estão saindo do Brasil para o estrangeiro cerca de 10 milhões de turistas brasileiros. É hoje um enorme mercado potencial que deveria ser intensamente solicitado com campanhas bem mais ambiciosas por parte dos responsáveis do turismo português. A língua e as raízes portuguesas no Brasil são um forte atrativo se forem bem trabalhadas.
Na sua qualidade de presidente da Câmara Portugal-Brasil no Ceará, o que poderá ser feito para aumentar o relacionamento bilateral?
A continuação da divulgação junto da opinião publica sobre as duas sociedades através das ações que têm sido organizadas nos dois países. Trazer mais artistas contemporâneos portugueses jovens para desmistificar imagens erradas da nova geração portuguesa.
As câmaras de comércio luso-brasileiras são uma boa “ferramenta” para o desenvolvimento desse relacionamento?
São fundamentais.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL