12 de agosto 2010
Lisboa - O secretário de Estado do Tesouro e Finanças de Portugal afirma, em entrevista ao semanário chinês “Economic Observer”, que o país já garantiu mais de 74% das necessidades de financiamento previstas para este ano, com uma procura mais elevada e uma taxa de juro média ainda inferior às emissões de dívida pública realizadas em 2007 e em 2008.
“Não obstante as condições mais exigentes, Portugal tem conseguido aceder aos mercados sem dificuldades de maior. Na realidade, em Julho tínhamos já assegurado mais de 74% das necessidades de financiamento de longo prazo da República”, diz Carlos Costa Pina, citado no Negócios Online.
Carlos Costa Pina admite que as taxas de juro reclamadas têm sido mais elevadas, mas sublinha que, ao contrário do que muitos analistas chegaram a antecipar, os investidores não fugiram da dívida portuguesa, nem o preço efectivamente exigido furou o padrão dos últimos anos.
Em média, a procura neste ano de títulos portugueses tem sido 2,4 vezes superior à oferta, “o que compara favoravelmente” com a média inferior a 2,2 vezes registada nos últimos três anos, diz.
“Apesar do aumento dos spreads exigidos pelos investidores para deter dívida portuguesa, o custo total pago por Portugal, que nas emissões deste ano ronda os 4,240%, ainda compara favoravelmente com o custo médio que pagámos pela dívida emitida em 2007 e 2008, que foi de 4,458% e 4,608%, respectivamente”.
Carlos Costa Pina prevê ainda um cenário benigno para 2011. “Estamos absolutamente confiantes e não antecipamos qualquer problema”, afirma, acrescentando que o montante de dívida que precisa então de ser refinanciada é inferior a 10 mil milhões de euros e que o Tesouro tem vindo a esticar as maturidades.
“É um montante relativamente pequeno e já começámos a reduzi-lo através de um programa de recompra. Neste ano já comprámos cerca de dois mil milhões de dívida que vencia no próximo ano”, refere o secretário de Estado.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL