Lisboa - O presidente da CSN - Companhia Siderúrgica Nacional, Benjamin Steinbruch, lançou o alerta de que actualmente "é muito difícil" investir em Portugal, afirmando que se o Governo português não oferecer incentivos "ninguém" estará disponível para investir no país, nem a CSN.
"Portugal é um país em que temos de pensar em termos de exportação, porque o consumo do mercado português é muito pequeno. No entanto, hoje dá mais prioridade aos serviços que à indústria", disse Steinbruch em entrevista ao "Diário Económico" e "Brasil Económico".
"Não se trata de dizer que isso está certo ou errado, é tudo uma questão de prioridade do governo. Por isso, não se vê grandes investimentos produtivos em Portugal, porque tem de haver um tratamento especial para que se seja competitivo na exportação. Enquanto não tiver isso, é muito difícil fazer investimentos em capital intensivo num país com um mercado interno pequeno", explicou o presidente da CSN e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Quanto à cimenteira portuguesa Cimpor, cujo capital a CSN chegou a disputar, Steinbruch garantiu que é um assunto que "já passou". A CSN acabou por ser ultrapassada pelas também brasileiras Votorantim e Camargo Corrêa, que agora têm a maior parte do grupo português.
A Cimpor, lembrou Benjamin Steinbruch, "era uma aposta para o mercado interno brasileiro e mercado interno português". "Não era para exportar cimento de Portugal para o Brasil. E tínhamos interesse nessa operação para explorar as fábricas aqui no Brasil e o mercado português", acrescentou o presidente da CSN.
A CSN mantém em Portugal o controlo da empresa de siderurgia Lusosider, implantada a Sul de Lisboa.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL