São Paulo – O Grupo EDP no Brasil, empresa da EDP Energias de Portugal, comemora cinco anos do lançamento da oferta pública de ações (IPO – Initial Public Offering) no mercado de capitais brasileiro. Neste período, a empresa mais que triplicou sua capacidade instalada e teve as suas ações valorizadas em 104%, com retorno total aos acionistas, incluindo dividendos, de 142%, informa o grupo em comunicado divulgado quarta-feira (29).
A companhia iniciou a negociação de suas ações em 2005, no Novo Mercado, nível mais elevado de governança corporativa da Bolsa Valores de São Paulo.
Desde a abertura de capital até o último levantamento, o desempenho das ações obteve uma valoração de 104%, a partir do valor de negociação inicial precificado em R$ 18, os papéis chegaram a R$ 36,80, com retorno total aos acionistas, incluindo proventos, de 142%.
A empresa, que está no Brasil há 13 anos, tem ampliado a sua participação no setor energético e tornou-se uma das principais elétricas nacionais, operando nas áreas de comercialização, geração e distribuição.
Os recursos captados com a Oferta Pública Inicial foram fundamentais para o desenvolvimento da estratégia da empresa. Nos últimos cinco anos, a EDP realizou um investimento de R$ 4,8 bilhões em projetos de expansão, especialmente no segmento de geração de energia.
Entre os principais estão o aproveitamento hidrelétrico de Peixe Angical (TO), a expansão da usina hidrelétrica de Mascarenhas e a conclusão das PCHs São João e Santa Fé, no Espírito Santo. Estes projetos levaram a empresa a mais que triplicar a sua capacidade instalada, passando de 530 MW para 1.741 MW. Até 2012, com os projetos já em construção, a previsão é chegar a 2.150 MW.
Usinas
Hoje, a empresa possui 17 usinas hidrelétricas de grande, médio ou pequeno porte e duas distribuidoras.
Atualmente, a EDP está construindo em parceria com a MPX a Usina Termelétrica Porto do Pecém I, no Ceará, com 720 MW de capacidade. O empreendimento é uma das principais obras do país e está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na área das energias renováveis complementares, o Grupo iniciou a construção do Parque Eólico de Tramandaí e colocou em operação a nova PCH Santa Fé.
A empresa também foi responsável pela primeira operação de troca de ativos do setor energético brasileiro, efetivada com o Grupo Rede Energia, envolvendo a troca da distribuidora Enersul, pelas empresas Rede Lajeado e Investco, controladoras da Usina Hidrelétrica de Lajeado.
"Com esta operação, concluída em setembro de 2008, atingiu-se um dos objetivos estratégicos do Grupo: o equilíbrio entre os contributos das atividades de distribuição e geração para os resultados financeiros da EDP no Brasil", lê-se no comunicado.
As decisões de investimento, para além de assegurarem rentabilidade adequada aos acionistas e contribuírem para a robustez do Setor Elétrico Nacional, foram sempre tomadas com base em rigorosos princípios de defesa do equilíbrio social e ambiental. “Por adotarmos estas práticas, estamos há três anos no Índice Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa”, diz António Pita de Abreu, diretor-presidente do grupo EDP no Brasil.
Operações financeiras
Para sustentar o plano de expansão, a companhia vem realizando bem-sucedidas operações financeiras no mercado. Destaque para a negociação de financiamento de longo prazo para a termoelétrica de Porto do Pecém I, que resultou no empréstimo do BID no valor de US$ 327 milhões e do BNDES no valor de R$ 1,4 bilhão. Esta negociação foi reconhecida pela publicação financeira internacional Euromoney como "Deal of the Year" em financiamento de projetos na América Latina em 2009.
A EDP ainda foi pioneira no setor elétrico na utilização da linha de crédito BNDES-CALC, uma modalidade recente e acessada por apenas alguns poucos grupos de outros setores econômicos.
No ano passado, a EDP voltou ao mercado de capitais para executar uma operação muito bem sucedida: a venda de ações em tesouraria. Os papéis tinham sido adquiridos pela Companhia no auge da crise financeira, em outubro/2008, em função dos acionistas minoritários terem exercido o direito de recesso referente à negociação de permuta de ativos.
Com esta oferta pública das ações, a companhia totalizou R$ 442 milhões e hoje possui 35% das suas ações no mercado, registrando um volume médio diário de papéis negociados em torno de R$ 11,6 milhões.
O diretor-presidente do Grupo EDP no Brasil avalia que nestes cinco anos houve períodos difíceis no mercado econômico, mas as empresas do Grupo no Brasil mantiveram a boa qualidade de crédito. Prova disso, é que as distribuidoras do Grupo mantiveram o investment grade, mesmo em um dos piores momentos da última crise financeira, agravada no 2º semestre de 2008, em razão da restrição de acesso ao crédito. “Outra confirmação desta credibilidade foi quando fomos ao mercado buscar recursos com instituições financeiras para a recompra das ações dos acionistas minoritários. Conseguimos o financiamento no momento em que o mercado de crédito praticamente deixou de existir”, destaca António Pita de Abreu, citado no comunicado.
Os resultados positivos da companhia e sua estrutura financeira saudável devem-se também à evolução econômica do Brasil. “Tivemos um impacto reduzido em relação ao resto do mundo nesta última crise. A incerteza que levou as principais economias mundiais e as indústrias a reduzirem ou pararem de produzir produtos, também impactou as nossas distribuidoras, que registraram redução no consumo de energia dos clientes industriais cativos e livres. Mas, por outro lado, dado que o Brasil foi um dos países que menos sentiu os efeitos negativos da crise, beneficiado pela regulação sobre os bancos, as classes residencial e comercial apresentaram crescimento no consumo de energia elétrica”, explica Pita de Abreu.
Para os próximos anos, a companhia mantém em seu plano de negócios o crescimento em geração mantendo um equilíbrio adequado entre as contribuições da distribuição e da geração para a criação de valor, num contexto em que se dará atenção particular à inovação, à qualidade da gestão do capital humano e sustentabilidade, diz a holding da EDP no Brasil.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL