Lisboa - Portugal comemora nesta terça-feira, 5 de Outubro, o centenário da proclamação da República. Vários eventos estão programados em praticamente todo o país para assinalar os 100 anos da queda da monarquia e o início do regime republicano.
Do extenso programa oficial, o Governo destaca a inauguração de uma centena de escolas em várias regiões do país, que, segundo o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, pretende ser uma "homenagem aos ideais republicanos".
"É uma homenagem que prestamos a um dos ideais republicanos e uma das iniciativas da I República de alargamento da instrução e é a melhor forma de o país, que está a comemorar o seu centenário da República, valorizar esse sinalizando a sua aposta na educação", disse o ministro.
As comemorações decorrem, no entanto, tendo por cenário uma grave crise económica e financeira que fragiliza o governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista. O discurso do presidente da República, Cavaco Silva, é aguardado com expectativa dada as profundas divergências entre o PS e o seu principal opositor político, o Partido Social Democrata (PSD), liderado pelo Passos Coelho, em torno do Orçamento Geral do Estado para 2011.
"Em circunstâncias normais, neste 5 de Outubro, numa celebração tão marcante, o Presidente não falaria da situação económico-financeira do País", afirma Azevedo Soares, antigo ministro dos Assuntos do Mar de Cavaco Silva. Mas a profunda crise económica vai, diz, obrigá-lo a virar-se para a actualidade. Azevedo Soares só não espera que renove o apelo a um entendimento entre Governo e PSD para a viabilização do OE, escreve hoje o Diário de Notícias.
"O país e os partidos já sabem do seu empenho em que haja um Orçamento do Estado aprovado. Se insistir no entendimento, só pode significar que estará a pressionar o PSD, retirando-lhe espaço de manobra quanto à decisão que entender tomar sobre aquela matéria", diz Azevedo Soares, antigo vice-presidente do PSD.
Azevedo Soares afirma que o capital de "credibilidade" do Presidente da República, a que se soma a sua condição de economista, lhe permitirá retomar o "discurso da verdade" e confrontar os portugueses com a dimensão da crise e com a necessidade de a enfrentarem. O seu discurso, admite, será "muito cauteloso", medido ao milímetro, até porque "nunca se esquecerá de que está em vésperas de uma recandidatura".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL