Lisboa - A recessão da economia portuguesa em 2011 parece óbvia para todos, excepto para o Governo português, escreve a revista britânica "The Economist", citada pela rádio TSF.
"Que a recessão irá seguir o ajustamento orçamental parece óbvio para todos excepto para o Governo, que projecta um crescimento de 0,2 por cento em 2011, depois de crescer cerca de 1 por cento este ano. O Barclays Capital espera que a economia contraia 1,1 por cento no próximo ano", diz a The Economist.
A revista considera que o primeiro ministro português, José Sócrates, do Partido Socialista, optou por uma abordagem mais moderada quando a Grécia e a Espanha tomavam medidas mais duras, e que, agora, "foi forçado a aceitar o seu erro com um pacote de austeridade no mínimo tão duro como o de Espanha", quando deveria ter entrado "a matar", tal como estes países fizeram inicialmente.
A revista diz que um "confuso" acordo entre Governo e oposição "é provável nas próximas semanas" mas que o grande desafio de Sócrates é levar a economia a crescer novamente, e que terá sido em nome deste pressuposto que o primeiro-ministro terá resistido a tomar medidas mais drásticas.
"Ainda assim, foi em nome do crescimento que Sócrates de forma esquiva resistiu a cortes mais drásticos até que os mercados de dívida o obrigaram. Ele argumenta que, ao contrário de outros países da zona euro em dificuldades, Portugal não sofreu uma crise bancária ou imobiliária. Grécia, Irlanda e Espanha todos têm défices maiores e crescimentos menores. No entanto, para manter os custos de financiamento controláveis, teve de dar uma machadada no défice", avalia a The Economist.
De acordo com a revista britânica, o caminho ainda será longo e para fazer a economia crescer não serão necessárias apenas medidas duras de austeridade, mas também tornar mais flexível o mercado de trabalho, melhorar as escolas e aumentar a eficiência do sistema judicial. A concluir a The Economist avalia que "Portugal poderá finalmente ter cedido aos mercado mas há muito mais batalhas pela frente".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL