Portugal ao lado da Grécia são os países mais sujeitos a pressões, tendo o Estado português aumentado as necessidades de financiamento em dois por cento na passagem de 2010 para 2011.
Da Redação
Lisboa - O Fundo Monetário Internacional (FMI) admite que analistas de mercado dão como quase certa a situação de incumprimento em países como Portugal, embora considere que o panorama fiscal português está a melhorar a um ritmo maior do que o esperado, noticiou a rádio TSF.
Os chamados "eventos de crédito", antecipados já por alguns especialistas, explica o FMI, podem ser falhas graves no pagamento das prestações devidas aos credores internacionais ou mesmo a falência do país.
Se a curto prazo este cenário se confirmasse, Portugal seria obrigado a recorrer ao fundo de apoio do FMI e da União Europeia, à semelhança da Grécia.
O estudo intitulado " Fiscal Monitor" considera ainda que na Zona Euro, apesar da Irlanda ter o maior défice do grupo, Portugal ao lado da Grécia são os países mais sujeitos a pressões, tendo o Estado português aumentado as necessidades de financiamento em dois por cento na passagem de 2010 para 2011.
O FMI constata um apetite dos mercados para o colapso, apesar da evolução favorável da consolidação orçamental, mas os reflexos na rentabilidade dos títulos das dívidas soberanas espelham uma tendência para a polarização, entre as apostas em países considerados mais seguros e países de maior risco.
O FMI descreve ainda neste relatório que o aumento do pessimismo face a países como Portugal é traduzido pelo declínio na rentabilidade das obrigações, que se traduz nos níveis elevados de juros, pelas garantias exigidas pelos investidores na compra da dívida pública portuguesa, reflectindo baixas expectativas e incerteza na recuperação destas economias.
A taxa de juro da dívida portuguesa a dez anos ronda, esta sexta-feira de manhã, os 6,7 por cento, aproximando-se assim do limite psicológico de 7 por cento.
Ouvido pela TSF, o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) entende que "a observação que está a ser feita pelos mercados é exagerada". "Neste momento, está a haver uma pressão enorme, porque nos deixámos encurralar nesta situação difícil", acrescentou.
"Não é sustentável este custo de dívida para o orçamento que temos e para as dificuldades que vamos passar", disse João Duque. De acordo com o presidente do ISEG, ouvido pela TSF, "há a expectativa interna de que vamos conseguir levar a bom porto a execução orçamental". Se isso não for conseguido, alertou, será "a morte do país".
Fonte: PORTUGAL DIGITAL