Desde 2002 a entrada de capital português no Brasil soma 10 bilhões de euros. "É um volume bastante razoável", disse ao Portugal Digital o professor Joaquim Ramos Silva.
Hélia Ventura
Belo Horizonte - O fluxo de investimentos portugueses no Brasil e vice-versa aumentou nos últimos anos, conforme balanço feito pelo professor da Universidade Técnica de Lisboa Joaquim Ramos Silva. Em Belo Horizonte, o professor universitário falou ao Portugal Digital, lembrando que o movimento de investimentos entre os dois países, que havia registrado queda entre 2001 e 2002, foi retomado. De lá para cá, a entrada de capital português no Brasil já soma 10 bilhões de euros, em valores brutos.
"É um volume bastante razoável. Corresponde entre um quarto a um quinto dos investimentos no exterior realizados pelas empresas sediadas em Portugal", disse o professor, que veio a Belo Horizonte para participar da sexta edição do Seminário Brasil - Portugal Internacionalização de Empresas, que começa nesta quinta-feira (dia 27), na capital de Minas Gerais.
A presença de grupos brasileiros em Portugal também aumentou no período em análise. Grandes companhias como CSN, Embraer, Banco Itaú, dentre outras, têm investimentos significativos em Portugal. Valores que somam 2 bilhões de euros, mas que podem ser ainda maiores por estarem associados a outras fontes de financiamento, como os fundos que essas empresas mantêm em outros países e que não estão incluídos nessa contabilidade, explica o professor .
Segundo explicou, normalmente a empresa começa a investir no país com recursos próprios e depois procura outras fontes, que tanto podem ser de onde elas se instalaram ou do mercado internacional.
Seguindo a globalização
Ao lado das grandes empresas e até mesmo puxado por elas, cresce também a participação das pequenas em Portugal e no Brasil. Os investimentos portugueses no Brasil são muito diversificados, englobando setores como bancos, construção civil, turismo, telecomunicações, além das incursões em áreas como as de novas tecnologias, afirma o professor português. Segundo ele, a indústria e a agricultura são segmentos nos quais a participação portuguesa no Brasil ainda é pequena.
De acordo com Joaquim Ramos Silva, os investimentos aumentaram no contexto do processo de internacionalização, que levou os dois países a buscarem novos mercados, acompanhando o movimento da economia mundial.
Brasil e Angola
O professor Joaquim Ramos Silva falou sobre os investimentos de Portugal em Angola e descartou que sejam superiores aos do país no Brasil. Disse que são países com realidades diferentes e em estágios também diferentes de desenvolvimento. Por isso, enquanto Angola requer serviços básicos e obras em setores como o de infraestrutura, atraindo por isso em maior volume o interesse de empresas da construção civil, por exemplo, o Brasil oferece oportunidades em áreas mais sofisticadas, como o turismo e as novas tecnologias.
Seminário Brasil - Portugal
Joaquim Ramos Silva é o coordenador, da parte portuguesa, de um convênio de cooperação assinado entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Técnica de Lisboa (UTL).
Uma das ações previstas nesse convênio é a realização de um seminário para a integração de Portugal e Brasil. O evento completa este ano sua sexta edição e será realizado em Belo Horizonte nos dias 26 e 27 deste mês, na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.
Durante o encontro será lançado o livro “Estado, empresa e sociedade: um mosaico brasileiro”, que aborda, dentre outros temas, as relações entre Brasil e Portugal. O seminário realiza-se, alternadamente, em Belo Horizonte e em Lisboa. Em 2010, será na capital portuguesa.
Fonte: Portugal Digital