Os lucros de várias empresas da bolsa portuguesa cresceram nos primeiros nove meses deste ano, tirando partido de ganhos extraordinários, com a venda de importantes participações. O Brasil foi uma das grandes fontes de receita. Até ao final de setembro os grupos portugueses presentes na bolsa encaixaram com o Brasil quase 5 mil milhões (bilhões) de euros, de acordo com as contas do Portugal Digital.
O maior contributo veio da Portugal Telecom, que registrou com a venda da sua posição na Brasilcel (controladora da Vivo) um encaixe de 4,49 mil milhões (bilhões) de euros, líquidos das despesas da operação.
O grupo português de telecomunicações já não consolidou nas contas relativas a setembro os resultados operacionais da Vivo, por ser considerada uma operação descontinuada.
A Brisa foi outra cotada portuguesa cujas contas dos primeiros nove meses saíram beneficiadas com o Brasil. A venda de 6% da CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias rendeu até setembro ao grupo português uma mais valia de 267,4 milhões de euros.
Já a EDP - Energias de Portugal obteve através da sua participada EDP Energias do Brasil um lucro equivalente a 164 milhões de euros (em linha com o do ano passado), decorrente de uma performance operacional que se saldou num crescimento da margem bruta no mercado brasileiro de 567 para 727 milhões de euros.
Nas suas contas dos primeiros nove meses do ano o Banco Espírito Santo (BES) reportou também uma evolução favorável dos seus negócios no Brasil, apresentando neste mercado um lucro de 26 milhões de euros.
Outras empresas portuguesas cotadas no índice PSI-20 também têm no Brasil uma importante plataforma de atividade. Caso da Galp Energia, que até setembro produziu no mercado brasileiro 0,4 milhões de barris de petróleo.
O desenvolvimento de infra-estruturas no Brasil deverá continuar a alimentar o crescimento de vários grupos portugueses. A cimenteira lusa Cimpor, cujo capital já é dominado por brasileiros, apresentou no primeiro semestre (os dados do terceiro trimestre ainda não foram publicados) um aumento do seu volume de negócios no Brasil de 187,3 para 274,4 milhões de euros.
Na construção, a Teixeira Duarte obteve no primeiro semestre faturamento de 88,7 milhões de euros no Brasil, que compara com 25,2 milhões em igual período de 2009. A Mota-Engil, por seu lado, ainda não reportou detalhes dos seus resultados no mercado brasileiro, onde começou a operar no ano passado.
Seja como for, e embora os resultados acima referidos não sejam diretamente comparáveis (alguns são receitas, outros são lucros e parte deles irrepetíveis por virem de eventos não recorrentes), o Brasil está a ser em 2010 uma importante alavanca das contas dos maiores grupos da bolsa portuguesa.
Das duas dezenas de empresas que fazem parte do principal índice da bolsa lusa, metade delas tem algum tipo de exposição ao Brasil. E várias delas, como são os casos da Galp, Portugal Telecom, EDP, EDP Renováveis ou Mota-Engil, estão a investir dezenas de milhões de euros no país. Sementes que poderão, a breve prazo, dar novos frutos na contabilidade destes grupos portugueses.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL