Nos últimos cinco anos pouco mudou no perfil das vendas portuguesas para o mercado brasileiro. Quase dois terços dos produtos são de fraca intensidade tecnológica.
Jorge Horta
Lisboa - Em cinco anos pouco mudou no perfil das exportações portuguesas para o Brasil. É a própria Agência para o Investimento e Comércio de Externo de Portugal (AICEP) que assume que entre 2005 e 2009 "não se registam grandes diferenças" no grau de intensidade tecnológica das vendas lusas para o mercado brasileiro.
No ano passado 62,4% das exportações de Portugal para o Brasil tinham uma baixa intensidade tecnológica, de acordo com os dados do Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE), citados num relatório da AICEP. Em 2005, segundo a mesma fonte, 65,1% das exportações eram de baixa sofisticação.
De resto, em 2009 houve 9,8% das exportações na categoria de média-baixa intensidade, 20,1% em média-alta intensidade tecnológica e apenas 7,7% das vendas para o Brasil foram de produtos de alta incorporação tecnológica.
Ainda assim, a AICEP também faz uma leitura positiva dos últimos cinco anos. "O quociente entre as exportações de produtos industriais transformados e as exportações totais, em 2009 foi de 85,4% e em 2005 foi de 79,6%, o que demonstra uma evolução positiva no grau de transformação das exportações", avalia a agência estatal portuguesa.
A dinamização das exportações tem sido um dos objectivos do governo do primeiro-ministro José Sócrates. E o Executivo tem dado especial atenção às empresas que conseguem criar valor acrescentado.
Em julho de 2008, quando aprovou um pacote de incentivos para o investimento da brasileira Embraer em Portugal, o governo de José Sócrates citava a intensidade tecnológica como um dos benefícios do projecto industrial e um dos motivos para a atribuição de apoios públicos.
"O projecto contribui para o aumento das exportações nacionais de bens e serviços, com alta intensidade tecnológica bem como para o processo de internacionalização dos fornecedores locais, através da sua qualificação e certificação para fornecer o mercado global do sector aeronáutico", referia a resolução de conselho de ministros assinada por Sócrates a 24 de julho de 2008. As exportações portuguesas para o Brasil, todavia, não reflectiram, nos últimos cinco anos, ganhos significativos no plano da intensidade tecnológica.
Vendas brasileiras para Portugal têm maior intensidade tecnológica
Os números dos últimos cinco anos mostram, por outro lado, uma maios dispersão por vários graus de intensidade tecnológica nas importações que Portugal faz de produtos brasileiros.
Do total de exportações do Brasil para Portugal em 2009 uma parcela de 40% foi de baixa intensidade, 30,2% foi de média-baixa intensidade, 40% teve um grau médio-alto e 2,7% um nível elevado. Já em 2005, os graus de intensidade tecnológica nas exportações do Brasil para Portugal foram, respectivamente, de 40,8%, 28,4%, 21,7% e 9,1%.
Apesar de Portugal manter um baixo nível de sofisticação das suas exportações para o Brasil, o valor exportado tem crescido. Passou dos 178,1 milhões de euros de 2005 para 294,5 milhões de euros em 2009, com uma taxa de crescimento anual de 15,1%, em média. Nos primeiros oito meses deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal exportou para o Brasil 267 milhões de euros, mais 73% do que no mesmo período de 2009.
No sentido inverso, Portugal importou do Brasil 655 milhões de euros de janeiro a agosto, mais 3,7% que no ano passado. Nos últimos cinco anos as vendas brasileiras para Portugal apresentam um crescimento médio anual de apenas 0,3%. Somaram 984 milhões de euros em 2005, subiram para um máximo de 1,38 mil milhões em 2007, mas em 2009 ficaram nos 887,5 milhões de euros.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL