A decisão do Copom veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas consultados todas as sextas-feiras pelo Banco Central.
Brasília – Em sua última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano. Este patamar vigora desde julho último, numa demonstração da estabilidade econômica que conduz o país à transição de governo no próximo dia 1º de janeiro.
A decisão do Copom veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas consultados todas as sextas-feiras pelo BC para acompanhar as tendências da iniciativa privada sobre os principais indicadores econômicos. Pesquisa que dá origem ao boletim Focus, divulgado sempre no primeiro dia útil da semana seguinte.
Embora as pressões inflacionários tenham aumentado nos últimos meses (0,45% em setembro, 0,75% em outubro e 0,83% em novembro) os consultores financeiros ouvidos na pesquisa do BC entendem que as medidas anunciadas na última sexta-feira (3) vão reduzir a oferta de crédito e o consumo interno, desaquecendo um pouco a inflação. Este não seria, portanto, o momento adequado para elevar a Selic.
Foi a última reunião do Copom sob o comando de Henrique Meirelles, que está no comando do BC durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e tornou-se o dirigente mais longevo do BC. Depois de oito anos à frente da autoridade monetária, Meirelles passará o cargo, em janeiro, para o atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Alexandre Tombini.
Fiesp critica decisão
A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano trará problemas à economia, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Para a federação, o atual patamar de juros produz efeitos negativos sobre a atividade industrial. “Não bastando os malefícios que este cenário provoca sobre os investimentos, a sobrevalorização cambial derivada desta anomalia completa o ciclo de entraves ao setor produtivo”, diz a nota divulgada pela entidade.
Segundo a Fiesp, a valorização do real provocada pelos juros altos estimula uma “enxurrada” de produtos importados que “estaria por trás do preocupante quadro de letargia da atividade industrial”.
O presidente da federação, Paulo Skaf, defendeu que o governo reduza os gastos públicos e promova a diminuição da Selic. “O governo precisa criar a efetiva coordenação entre as políticas de gasto público e de juros para que o Brasil possa atingir um equilíbrio econômico compatível com um desenvolvimento sustentado”.
Mas a CNI aprova
Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, divulgou nota na qual considera que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano foi a “mais acertada” para o momento.
Segundo ele, as medidas de restrição ao crédito, anunciadas na última seta-feira (3), já mostram a preocupação do Banco Central com o “excesso de liquidez na economia e seus impactos sobre a trajetória da inflação, tornando desnecessário elevar a taxa Selic”.
Robson Andrade acentuou, contudo, que o patamar dos juros no país é dos mais elevados do mundo. Ele ressaltou ainda que o uso de juros altos como forma de controle da inflação impõe elevado custo ao setor produtivo e pressiona a valorização do real. “A combinação de juros altos e câmbio apreciado precisa ser revista.”.
De acordo com o presidente da CNI, a âncora da estabilidade da economia não pode ser apenas a política monetária. "Não é aceitável um novo ciclo de elevação dos juros – já pré-anunciado com as medidas de contenção monetária da semana passada – sem ajustes no lado fiscal. É imprescindível dar maior peso à política fiscal, com a imposição de limites aos gastos correntes", indica.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL