Bradesco, Vale, Itaú e Petrobras estão no topo das preferências dos gestores de fundos portugueses.
Jorge Horta
Lisboa - O Brasil continua a marcar a aposta dos fundos de investimento portugueses no mercado de acções. Não só o título onde está feita a maior aplicação é brasileiro (Bradesco), como também é notória a presença das acções brasileiras na lista de papéis nas mãos dos investidores lusos.
Em novembro, entre acções e outros valores mobilários, o Brasil representava um investimento de 542,9 milhões de euros por parte dos fundos portugueses, mais 4,9% que no mês anterior, posicionando-se como o quinto maior destino externo dos investimentos, apenas atrás de Luxemburgo, Reino Unido, Alemanha e Irlanda.
No que respeita em particular ao mercado accionista, os fundos lusos tinham no fim do mês passado 339,1 milhões de euros aplicados no Bradesco (mais 3,6% que em outubro), além de 14,8 milhões de euros nos ADR do Bradesco (títulos do banco brasileiro cotados nos Estados Unidos da América).
Os ADR do Itaú Unibanco (13,9 milhões de euros), da Vale (12,2 milhões) e da Companhia de Bebidas das Américas (9,8 milhões) e as acções da Petrobras (10,1 milhões de euros) também integram a lista de dez acções com mais peso no mercado de fora da União Europeia (UE) no investimento dos fundos portugueses.
Só o dinheiro que está aplicado no Bradesco vale quase tanto como o investimento que no final de novembro estava contabilizado nas dez principais acções portugueses (398,4 milhões de euros).
O investimento nas acções brasileiras referidas, que ronda os 400 milhões de euros, corresponde a cerca de 16% dos 2,5 mil milhões de euros que os fundos lusos tinham em acções de todo o mundo. O montante aplicado pelos fundos de investimento mobiliário (FIM) em acções do mercado nacional caiu 14,7% em relação a outubro, para 579,6 milhões de euros, enquanto o valor aplicado em acções estrangeiras subiu 0,8% para 1.932,7 milhões.
Os títulos do Banco Espírito Santo (o BES é um dos accionistas do Bradesco, o qual também entra no capital do BES) continuam a ser os que mais pesam nas aplicações dos fundos de investimento mobiliário (23,9% do total aplicado no mercado português), apesar de o valor sob gestão do título ter caído 21,4% em novembro para 138,3 milhões de euros.
Segue-se a Galp, que subiu 16,2%, para 40,2 milhões, e a Semapa, cujo valor sob gestão caiu 12,5%. O BCP e a Brisa foram os títulos que registaram a maior queda mensal no valor sob gestão, com perdas de 30,1% e 25,2%, respectivamente, segundo informou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Em Portugal, o valor sob gestão dos organismos de investimento colectivo em valores mobiliários (OICVM) caiu 3,6% em novembro, para 8.974,8 milhões de euros (menos 331,8 milhões de euros do que em outubro) e o valor administrado pelos fundos especiais de investimento (FEI) desceu 2,3% para 5.636,4 milhões de euros.
O valor sob gestão de títulos de dívida pública portuguesa subiu 4,7% para 209,4 milhões de euros em Novembro e o de dívida pública estrangeira aumentou 8,3% para 1.180,6 milhões de euros.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL