Lisboa - O Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, pediu aos cidadãos portugueses espírito de sacrifício e união para este novo ano, afirmando que as dificuldades que o país atravessa "não irão desaparecer em 2011".
O chefe de Estado aproveitou a sua mensagem de Ano Novo, este sábado, para destacar os problemas que Portugal enfrenta. "Os tempos que atravessamos são de grandes dificuldades. Seria faltar à verdade afirmar que essas dificuldades vão desaparecer no ano que agora começa", declarou Cavaco Silva.
"Portugal tem hoje mais de 600 mil desempregados. O desemprego está a penalizar muito os mais jovens. A par disso, assistimos ao recrudescimento da pobreza em níveis que são intoleráveis", disse ainda o Presidente da República.
Numa mensagem onde afirmou que "pretender fugir aos sacrifícios é uma atitude que não se coaduna nem com os mais elementares princípios da ética republicana nem com o valor fundamental da coesão social", Cavaco Silva deixou algumas orientações de governação do país.
"Não podemos deixar para trás os que mais precisam: os jovens que buscam emprego, os desempregados de longa duração, os idosos mais carenciados, os que sofrem a pobreza e a exclusão, as crianças em risco, os deficientes, as famílias que enfrentam grandes privações", exortou Cavaco Silva.
Por uma vez no seu discurso o chefe de Estado fez uma referência indirecta ao Governo, para sublinhar a necessidade de mudança de rumo.
"A partir do 2º semestre de 2010 já ninguém pôde negar que o país atravessa uma situação de grave crise económica e financeira, a qual tem efeitos negativos no plano social. Aquilo que para alguns era já uma evidência, para a qual na devida altura alertaram os portugueses, foi finalmente reconhecido por todos, a começar pelos decisores políticos", lembrou Cavaco.
"Não iludir a realidade é um sinal positivo e uma atitude responsável, pois representa o primeiro passo para mudar de rumo e corrigir a trajectória", disse o chefe de Estado.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL