A taxa de juros de referência, também conhecida como taxa Selic, estava em 10,75% ao ano desde julho de 2010. As entidades empresariais já criticaram a decisão.
Da Redação
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro anunciou, quarta-feira (19), a subida da taxa básica de juros de 10,75% para 11,25% ao ano na primeira reunião do governo Dilma Rousseff.
A taxa de juros de referência, também conhecida como taxa Selic, estava em 10,75% ao ano desde julho de 2010.
"O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas", lê-se na nota divulgada no final da reunião de dois dias, a primeira comandada por Alexandre Tombini, o novo presidente do Banco Central.
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Com a subida da taxa básica de juros, o Brasil mantém liderança isolada no ranking mundial de juros reais - que são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) considerou um “erro” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic). Com o aumento, os juros vão para 11,25% ao ano.
Segundo a Fiesp, a elevação dos juros não é eficiente de conter a inflação, porque não tem efeito sobre as despesas com alimentação, pessoais e serviços. A entidade alerta também que a alta dos juros aumentará em R$ 200 bilhões os gastos do governo.
“Cada meio ponto percentual a mais na taxa Selic representa despesa pública anual adicional de R$ 9 bilhões”, disse, por meio de nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
“O Banco Central, além de cuidar da moeda ,deveria se preocupar com o emprego e crescimento econômico, que serão penalizados por essa decisão de aumento dos juros”, avalia a Fiesp.
Também a Confederação Nacional da Indústria (CNI) critica a medida.De acordo com a CNI, a elevação dos juros básicos é precipitada e compromete o crescimento no longo prazo da economia, disse há pouco a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“A elevação dos juros é o caminho mais fácil de controle de preços, porém o mais prejudicial. O impacto recai unicamente no setor produtivo, afetando negativamente a atividade e o emprego”, afirma a CNI em comunicado.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL