Primeiro-ministro português encontra-se hoje em Berlim com a chanceler alemã, com grande expectativa sobre a visão germânica da economia portuguesa.
Jorge Horta
Lisboa - O primeiro-ministro português, José Sócrates, reúne-se hoje à tarde em Berlim, na Alemanha, com a chanceler Angela Merkel, num encontro rodeado de expectativa sobre o que Merkel dirá dos desenvolvimentos da economia lusa e dos progressos feitos por Portugal ao nível da consolidação orçamental do Estado.
O encontro terá sido pedido por Angela Merkel. Na edição do último fim-de-semana o semanário "Expresso" adiantava que a reunião traria ao governo de José Sócrates uma apreciação positiva dos esforços do governo português, que tem estado há meses sob intensa pressão dos mercados financeiros e também do governo alemão.
A Alemanha, como principal financiadora da União Europeia, tem exigido aos países em piores condições orçamentais medidas mais austeras para porem as suas contas públicas em ordem, sob pena de forçar os estados incumpridores a recorrerem ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Portugal tem evitado a todo o custo a necessidade de recorrer ao FMI, bem como ao fundo europeu de estabilização, com o governo de José Sócrates a insistir que não precisa de apoio externo. A verdade é que a dívida da República Portuguesa tem sido negociada nas praças internacionais a taxas penalizadoras, que já ultrapassaram os 7% várias vezes.
Sócrates acompanhado do ministro das Finanças
O primeiro-ministro português estará hoje em Berlim acompanhado do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que iniciou 2011 com uma execução orçamental positiva, reduzindo o défice das contas públicas em janeiro face ao mesmo mês de 2010.
A redução do défice foi conseguida principalmente graças à subida de receitas (maior cobrança de impostos, sobretudo). A despesa do Estado também aumentou. Mas o governo português procurará mostrar a Angela Merkel que os esforços encetados por Portugal já estão a render resultados.
O encontro de hoje em Berlim também ajudará a preparar a cimeira da zona euro marcada para 11 de março em Bruxelas, onde os países que usam a moeda única trabalharão em conjunto para reforçar a coesão do euro e a garantia de um fundo de estabilização para apoiar as economias em dificuldades.
Em Portugal, embora o governo insista não ser necessário apoio externo, alguns indicadores vão dando conta de crescente deterioração da situação económica. A taxa de desemprego, segundo dados do Eurostat, fechou janeiro nos 11,2%, um recorde para Portugal.
As várias medidas do governo poderão tornar o crescimento económico ainda mais difícil. Uma das opções de José Sócrates e Teixeira dos Santos foi cortar os salários dos funcionários públicos (afectando directamente centenas de milhares de portugueses).
Outra solução do governo português passou pelo aumento de impostos e redução de benefícios fiscais, o que poderá determinar uma queda da procura interna, deixando o país praticamente "refém" do crescimento das exportações.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL