Foi o segundo aumento consecutivo de 0,5 ponto percentual depois da retomada do processo de ajuste monetário, iniciado em janeiro.
Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reajustou hoje (2), em 0,5 ponto percentual, a taxa básica de juros (Selic) para 11,75% ao ano. O novo índice ficará em vigor pelos próximos 45 dias, até nova reunião do colegiado de diretores do BC, agendada para dias 19 e 20 de abril. Foi o segundo aumento consecutivo de 0,5 ponto percentual depois da retomada do processo de ajuste monetário, iniciado em janeiro.
Em nota divulgada logo depois da reunião, o Copom diz que "dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, [o Copom] decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés."
A decisão foi em linha com a expectativa majoritária dos analistas financeiros, expressa no boletim Focus divulgado pelo BC na última segunda-feira (28).
Houve quem tivesse estimado um ajuste maior, por causa dos bons indicadores liberados hoje cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) sobre a produção industrial de janeiro e a venda de veículos em fevereiro, respectivamente.
De acordo com o IBGE, a produção industrial de janeiro cresceu 2,5%, comparado ao mesmo mês do ano passado, com desempenho melhor do que o previsto. Já a Fenabrave informou que as vendas de automóveis aumentaram 23,06% em fevereiro. Esses resultados acabam se tornando sinalizações para os defensores da tese de que existe espaço para um aperto monetário mais forte.
Em contrapartida, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) caiu em seis das sete capitais pesquisadas, na última semana de fevereiro, de 0,61% para 0,49%, na comparação com a semana anterior. Essa constatação é um indicativo de que as pressões inflacionárias começaram a ceder.
Fiesp e Firjan criticam
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) classificou como "exagero" o aumento de 0,5 pontos percentuais na taxa básica de juros (Selic). "Os impactos desse ciclo de elevação da taxa de juros irão desaquecer nossa economia ainda mais no futuro próximo", alertou o presidente da federação, Paulo Skaf.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também criticou o aumento da Selic. "Diante do novo aumento da taxa básica de juros, fica evidente que, sem auxílio efetivo da política fiscal, o ciclo de aperto monetário imporá elevados custos ao país em termos de financiamento de longo prazo, produção e geração de empregos", diz a entidade.
Segundo a Firjan, o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, anunciado pelo governo, não será suficiente. "O cenário atual requer um ajuste fiscal verdadeiro, livre de artifícios contábeis e que efetivamente reduza a pressão exercida pelo consumo do governo sobre a demanda", comenta a Firjan.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL