O primeiro-ministro estará no Parlamento para o debate e votação, já condenada ao insucesso, da moção de censura apresentada pelo Bloco de Esquerda.
Jorge Horta
Lisboa - O primeiro-ministro português, José Sócrates, irá hoje à tarde ao Parlamento, acompanhado de membros do seu executivo, para participar no debate da moção de censura apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE), numa sessão que promete acesas trocas de argumentos e acusações entre o governo socialista e os partidos da oposição.
A moção de censura, anunciada no mês passado pelo BE é votada, conforme previsto, um dia depois de Cavaco Silva ter tomado posse para o segundo mandato como Presidente da República. Mas há várias semanas que esta iniciativa do BE está condenada ao insucesso, dado que apenas o Partido Comunista Português (PCP) anunciou que votaria favoravelmente a moção do BE.
O Partido Social Democrata (PSD), principal força da oposição, informou que não fará passar a moção de censura do BE, dando assim ao Governo de José Sócrates um balão de oxigénio para continuar a governação. Se a iniciativa do BE obtivesse o apoio de mais de metade dos deputados o actual Governo cairia.
Em todo o caso, o debate de hoje promete ser animado. A situação económica do País servirá, com grande probabilidade, de rastilho para a discussão. BE e PCP deverão questionar José Sócrates pelos níveis recorde de desemprego. O PSD e o CDS-PP poderão pedir ao primeiro-ministro explicações sobre os juros crescentes da dívida pública portuguesa.
A recepção, ontem em Lisboa, de um emissário do governo líbio de Muammar Kadhafi poderá ser outro tema de debate, até porque esta sexta-feira se realizará em Bruxelas uma cimeira europeia onde as relações da Europa com o mundo árabe e, em especial, com a Líbia, estarão em cima da mesa.
Embora o Governo português já tenha admitido ontem que a continuação das taxas de juro da dívida pública nos níveis actuais não é sustentável a prazo, o primeiro-ministro continua a afirmar que o País não precisa de ajuda externa para resolver as suas finanças. Algo de que os mercados parecem continuar a duvidar.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL