Primeiro-ministro português reúne-se com a oposição para falar do Conselho Europeu desta semana, mas o cenário crítico de Portugal não deve ficar de parte.
Jorge Horta
Lisboa - O primeiro-ministro português, José Sócrates, receberá hoje na sua residência oficial, em São Bento (Lisboa), os líderes dos partidos com assento parlamentar. O tema agendado é o Conselho Europeu desta semana. Mas o clima de crise política dificilmente deixará de estar presente das reuniões de Sócrates.
Esta manhã José Sócrates receberá representantes do PS, PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda. À tarde irão a São Bento o PCP e o PEV. As reuniões decorrem no âmbito das consultas que o primeiro-ministro regularmente faz aos partidos com representação no Parlamento.
O chefe de Governo irá discutir com os vários partidos a participação portuguesa no Conselho Europeu que será realizado nos dias 24 e 25, em Bruxelas, e onde deverá ser aprovado o pacote global de governação económica da União Europeia, incluindo medidas contra futuras crises orçamentais dos Estados-membros.
Mas a reformulação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o governo de José Sócrates apresentou há pouco mais de uma semana também deverá ser discutida.
Ontem Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência do Conselho de Ministros, indicou que o Governo está disponível para negociar o PEC com os vários partidos, algo a que estes se têm oposto.
Silva Pereira, braço direito de José Sócrates, afirmou, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que o Executivo efectuou algumas alterações ao PEC no sentido de evitar uma crise política no País.
Mas pouco depois o secretário geral do PSD, Miguel Relvas, reiterou a oposição do seu partido ao pacote que vem sendo apelidado de "PEC 4".
Se o PEC for levado a votação no Parlamento e os partidos da oposição o chumbarem, como têm dito que farão, o cenário mais provável é o da demissão do primeiro-ministro, que deverá invocar a falta de condições de governação como justificação.
Mas a convocação de eleições antecipadas poderá também agravar a situação de Portugal nos mercados internacionais, uma vez que esse cenário também não traz garantia de estabilidade governativa futura.
As sondagens divulgadas nos últimos meses nunca deram aos dois partidos de direita (PSD e CDS-PP) intenções de voto suficientes para ficarem acima dos 50% e obterem uma maioria confortável para governarem em coligação.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL