A subida de juros resulta da crise financeira e económica em que Portugal está mergulhado, agora agravada pela crise política que obrigará à realização de eleições legislativas antecipadas
Lisboa - As taxas das obrigações do Tesouro português estão em alta, em todos os prazos, nesta quinta-feira (24), dia seguinte ao pedido de demissão do primeiro-ministro José Sócrates. No início da manhã, os juros exigidos a Portugal, na dívida a 5 anos, fixaram um novo máximo, acima de 8,3%.
A subida de juros resulta da crise financeira e económica em que Portugal está mergulhado, agora agravada pela crise política que obrigará à realização de eleições legislativas antecipadas, o que deverá acontecer até junho.
Hoje, regista-se uma subida generalizada das “yields”, com especial incidência sobre as taxas de mais curto prazo. Nas maturidades a 2 e a 3 anos as subidas são de mais de 20 e 30 pontos base, respectivamente. São máximos desde 1999, informa o Negócios Online.
A 5 anos, a taxa está agora nos 8,339%, um máximo desde a entrada de Portugal na Zona Euro, enquanto na maturidade de mais longo prazo, a 10 anos, os juros exigidos ao País, no mercado secundário, avançam 9 pontos, para 7,695%.
A subida dos juros das obrigações, que reflecte a queda do valor das mesmas, traduz os receios dos investidores relativamente à capacidade de Portugal fazer face ao cumprimento dos pagamentos da dívida, especialmente com a crise política.
José Sócrates apresentou ontem a demissão de primeiro-ministro, depois de ter sido rejeitado na Assembleia da República um novo pacote de medidas de austeridade, o Plano de Estabilidade e Crescimento IV, que visava cumprir metas acordadas com Bruxelas para a redução do défice público do país.
A generalidade dos analistas económicos e a imprensa internacional consideram ser inevitável que Portugal tenha de pedir apoio financeiro à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
A situação de Portugal está hoje em foco na reunião de líderes europeus a decorrer em Bruxelas e na qual participa José Sócrates, agora na qualidade de primeiro-ministro demissionário.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL