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     22/05/12

 
Governo aumenta IOF de empréstimos no exterior para 6,38%

 Entrada elevada de dólares com crédito barato obtido no exterior fez com que governo elevasse IOF, diz ministro.

Brasília – O grande volume de crédito barato obtido no exterior, por empresas e bancos, fez o governo adotar as medidas que elevaram o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos empréstimos, explicou terça-feira (29) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Decreto publicado no Diário Oficial da União elevou para 6,38% o imposto para empréstimos de até um ano. Antes, até 90 dias, o governo cobrava 5,38%. Segundo o ministro, o volume desses empréstimos vinha subindo muito e, só de janeiro ao dia 25 de março, ingressaram no país US$ 26,6 bilhões.

“É uma quantia muito elevada. E esses recursos não levam em consideração os investimentos estrangeiros diretos, cuja conta chega a US$ 12 bilhões”, disse. A entrada elevada de dólares é um problema surgido no ano passado, depois que o Brasil, ao sair da crise, tornou-se um país mais seguro aos investidores estrangeiros.

Para o ministro, as razões para a forte entrada de capital externo no país são “óbvias” e têm a ver com o crédito muito barato em outros países em comparação ao Brasil. Isso termina criando um problema conhecido como arbitragem. “Como os juros estão mais baratos lá fora, os bancos e empresas tomam o empréstimo e, depois, aplicam aqui dentro e ganham esta diferença. Ou então, colocam no mercado interno emprestando a taxas elevadas, que é a arbitragem”, explicou.

A entrada, cada vez em volumes maiores, tem sido um problema para o Brasil. Um maior volume da moeda norte-americana termina reduzindo o seu valor enquanto eleva o real, prejudicando, entre outros setores, o exportador, que vê seus produtos ficarem mais caros no exterior.

As medidas adotadas, agora, também visam a diminuir a exposição, em dólar, das empresas e dos bancos brasileiros. Isso porque, quando os juros deixarem de ser baratos no exterior, essas empresas e bancos endividados na moeda estrangeira passarão a enfrentar problemas. “Não queremos que haja um grande endividamento no exterior. É uma medida prudencial. Além de tentar atenuar esse fluxo de dólares, que é muito forte”, destacou Mantega.

Outra razão para o governo estar preocupado é que os empréstimos podem estar sendo direcionados internamente para o crédito e, com isso, elevando a inflação devido ao consumo aquecido. Esse é um caminho inverso ao pretendido pelo Brasil, que quer restringir justamente o crédito por causa do nível de atividade da economia brasileira, que precisa crescer em níveis sustentáveis. “Isto colide com a restrição de crédito que o Banco Central vem adotando, com o aumento das taxas de juros e das exigências prudenciais de mais capitais para os bancos”.

O ministro não informou o volume de recursos que a medida trará aos cofres da União. Segundo sua avaliação, como haverá redução no ingresso de capital de curto prazo, haverá uma arrecadação menor com esse tipo de operação. As informações são da ABr.

Fonte: PORTUGAL DIGITAL

 

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