O primeiro-ministro demissionário diz que quem ganhar as eleições de junho "deve ter um governo maioritário" e que o PS está disponível para o diálogo.
Jorge Horta
Lisboa - O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, considera que "Portugal precisa de um governo forte, com maioria na Assembleia da República". Sócrates afirmou em entrevista à RTP que o Partido Socialista (PS) "está disponível para o compromisso, para o diálogo e para a negociação".
José Sócrates foi o protogonista da primeira de uma série de entrevistas da RTP aos líderes partidários portugueses, no lançamento da campanha para as eleições legislativas antecipadas de 5 de junho. Sócrates não respondeu directamente se o PS convidará o Partido Social Democrata (PSD) para o governo caso ganhe as eleições, nem se estaria disponível para entrar num Executivo liderado pelo PSD.
O ainda primeiro-ministro e secretário geral do PS aproveitou ainda a entrevista para pressionar o PSD no que respeita aos objectivos que terá para o País. "É tão grave o PSD não ter medidas como, tendo-as, optar por escondê-las", disse José Sócrates na RTP.
Sócrates criticou ainda a estratégia que o seu opositor mais directo, Pedro Passos Coelho (presidente do PSD), tem seguido, por ter publicado um artigo de opinião no "Wall Street Journal" acusando o plano de consolidação orçamental de ser insuficiente. Antes Pedro Passos Coelho havia reprovado os projectos do governo de José Sócrates por considerar as medidas excessivamente penalizadoras para os portugueses.
"Temos um PSD que fala de uma forma para aqui e de forma diferente lá para fora", comentou José Sócrates.
Quanto ao endividamento de Portugal, o primeiro-ministro cessante disse estar convencido de que os rácios de endividamento do País vão descer em 2011.
Confrontado pelos cortes de apoios sociais que o seu governo decidiu nos últimos meses, José Sócrates respondeu que o fez "porque não tinha alternativa" e porque o Estado já não podia continuar a dar os benefícios.
Na entrevista à RTP o primeiro-ministro deixou ainda uma garantia de que se o PS voltar ao governo irá repor o regime de avaliação dos professores, que a oposição rejeitou no parlamento. Esse voto contra dos partidos da oposição foi, segundo José Sócrates, "uma golpada eleitoral" para tentarem ganhar os votos e a simpatia dos professores.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL