O Brasil passou em março a ser o maior mercado externo para o investimento em acções por parte dos fundos portugueses, suplantando os Estados Unidos.
Jorge Horta
Lisboa - O Brasil tem sido uma aposta crescente para os investidores portugueses e os números da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), relativos a março, comprovam isso mesmo: no mês passado o Brasil passou a ser a primeira aposta para compra de acções estrangeiras por parte dos fundos de invesmento lusos.
No final de março os organismos de investimento colectivo portugueses tinham 456,4 milhões de euros aplicados no Brasil, mais 7,1% do que em fevereiro. O valor apenas fica atrás dos 556,1 milhões de euros investidos em acções portuguesas, mostram os dados da CMVM.
Em fevereiro o Brasil era o segundo mercado internacional de investimento em acções por parte do capital luso e o terceiro mercado global, contando com Portugal. Em segundo lugar estavam os Estados Unidos da América (EUA). Mas o investimento em acções dos EUA em março caiu 10,3%, para 454,3 milhões de euros, deixando o Brasil na liderança entre os destinos externos de investimento.
De todo o capital aplicado pelos fundos portugueses em acções, se Portugal representa 22,6%, o Brasil assume uma participação de 18,5%, tal como os EUA. Os países europeus assumem uma expressão muito menor: o Reino Unido concentra apenas 6,2% do investimento dos fundos lusos em acções e a Alemanha não vai além de 5,9%.
Para a posição de liderança do Brasil na carteira dos fundos de investimento portugueses contribui, sobretudo, o Bradesco. O banco brasileiro, que tem participações cruzadas com o Banco Espírito Santo (BES), vale, apenas nas acções ordinárias, 347,5 milhões de euros entre os fundos portugueses, mais 9,6% do que valia em fevereiro. Além disso, havia em março 13,3 milhões de euros aplicados nos títulos do Bradesco cotados nos EUA (ADR).
A procura dos fundos de investimento lusitanos no mercado brasileiro não se limita ao Bradesco. No final de março também estavam investidos 16,1 milhões de euros no Itaú Unibanco (nos ADR da instituição brasileira), bem como 10,4 milhões nos ADR da Vale, 10 milhões de euros nas acções da Petrobras e 7,9 milhões nos papéis do Banco do Brasil.
A título de comparação, a acção estrangeira mais procurada pelos fundos portugueses (sem contas com as brasileiras) era em março a da alemã Siemens, que valia 19,8 milhões de euros na carteira daqueles organismos de investimento.
Em Portugal a acção mais relevante para os fundos é a do BES. Mas os 134,9 milhões de euros que valiam as apostas no banco parceiro do Bradesco representaram, face a fevereiro, uma queda de 13,5%.
A segunda companhia nacional mais procurada pelos fundos é a Galp Energia, com 44,2 milhões de euros aplicados (variação mensal de 1,6%). E o terceiro título com mais peso na carteira dos fundos era a Zon Multimedia, com 41,3 milhões de euros (descida de 3,8%).
No total, globalmente os fundos de investimento portugueses chegaram ao final de março com 2,46 mil milhões de euros aplicados em acções, menos 4,9% do que em fevereiro. Entre os dez principais mercados de investimento, oito tiveram um recuo e apenas dois cresceram: Brasil e África do Sul.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL