Produtores de vinhos das tradicionais regiões portuguesas do Dão e da Beira Interior apresentam no Hotel Mercure Lourdes, em Belo Horizonte , no próximo dia 29 de abril, das 16 às 20h30, a “Grande prova de vinhos de Portugal”.
Uma oportunidade para jornalistas, formadores de opinião, importadores, sommeliers e outros profissionais de hotelaria e restauração conhecerem e degustarem vinhos finos e de mesa produzidos com a assinatura das duas regiões. Antes, entre os dias 26 e 28 deste mês, os produtores participam, em São Paulo , da “Expovinis Brasil”, um dos principais salões internacionais do vinho na América Latina.
O evento em Belo Horizonte enquadra-se na estratégia de reforço de promoção dos vinhos do Dão e da Beira Interior em mercados externos prioritários, sendo o Brasil um desses mercados. O consumo de vinhos portugueses pelos brasileiros é responsável por 5,4% das exportações do produto daquele país, representando 14 milhões de euros, por ano.
No Brasil, as importações de vinhos portugueses, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), significaram, em 2010, quase 11,5% das importações total do produto, ou seja, uma entrada de oito milhões de litros de vinhos portugueses. No ranking de importações do produto pelo Brasil, Portugal só perde para Chile, com 35%, Argentina, com 24%, e Itália, com 17%.
Ainda de acordo com a Ibravin, o consumo da bebida pelos brasileiros não passa de dois litros per capita, por ano, muito abaixo da média da Argentina, por exemplo, que é de 37 litros . E do total de vinho consumido pelos brasileiros, importados e nacionais, o português representa 8%. É nessa realidade brasileira, de um mercado em potencial expansão, que os produtores das regiões do Dão e da Beira Interior estão interessados.
Vinhos do Dão
Os vinhos do Dão apresentam características tidas como únicas no universo dos vinhos portugueses. Em cerca de 390 mil hectares de extensão, a Região Demarcada do Dão apresenta perto de 20 mil hectares de vinhas. Ao norte e centro encontram-se solos graníticos e na parte sul, solos xistosos. O clima é em larga medida condicionado por serras que protegem as vinhas dos ventos marítimos agrestes. Os rios Mondego, Paiva, Vouga e Dão banham a região que, dentro desse quadro, obtém um clima quente e seco no verão, frio e chuvoso no inverno.
Por ano, são produzidos cerca de 50 milhões de litros de vinho, dos quais 40% a 50% são susceptíveis de obterem a Denominação de Origem Dão. Estes possuem um padrão inconfundível, onde a elegância, a boa harmonização gastronômica e a capacidade de envelhecimento são traços fundamentais.
Não é possível determinar com exatidão quando começou a prática da vitivinicultura no Dão. Sabe-se que é anterior à nacionalidade portuguesa, sendo claramente um reflexo dos diferentes povos que ocuparam a Península Ibérica. No século XIX já era significativa a exportação de vinhos da região para França e Brasil. No entanto, a partir das décadas de 1960 e 1970, a produção deteriorou, uma vez que se começou a apostar mais no volume da bebida e menos na qualidade.
A década de 1990 significou um renascimento dos vinhos do Dão. Novas práticas vinícolas e tecnologias de vinificação associadas a um espírito empreendedor de querer fazer melhor resultou em uma em vinhos de qualidade reconhecidos mundialmente.
Vinhos da Beira Interior
A região da Beira Interior tem um passado histórico de produção de vinhos, que remonta à fundação da nacionalidade portuguesa. Ela está localizada no interior centro de Portugal, tem cerca de 16 000 hectares de vinhas e uma grande variedade de castas.
Os vinhos são influenciados pelas serras que rodeiam os vinhedos e pela altitude das culturas, com variações entre 400 e 700 metros . Os solos são de origem granítica, em sua maioria, sendo o restante xistoso. O clima da região é agreste, com temperaturas negativas, no inverno, e verões muito quentes e secos. Dessa combinação, resultam vinhos brancos de grande exuberância aromática e muita frescura e, nos tintos, aromas complexos de frutos silvestres e especiarias, aliados a uma frescura marcante.
Nos últimos anos, tem-se dado nesta região uma grande evolução relativa ao aumento do número de produtores e à qualidade dos seus vinhos. A Beira Interior quer afirmar-se como uma região de excelência e qualidade na produção de vinhos e ocupar o seu legítimo lugar juntamente com as grandes regiões de vinicultura portuguesas.
Os vinhos do Dão estarão representados na degustação, em Belo Horizonte , pelos produtores Adega de Penalva do Castelo, Adega Cooperativa de Mangualde, Adega de Silgueiros, Caves Arcos do Rei, FTP Vinhos / Portugal Wines, UDACA, Vinícola de Nelas, Dão Sul/Global Wines e a Lusovini/Brasvini. Já os produtores Quinta dos Termos, Quinta dos Currais, Adega de Pinhel, Adega da Covilhã, Óscar Almeida Lda, SABE e Adega do Fundão vão representar a região da Beira Interior.