Pedro Passos Coelho, que tem sido o principal rosto da oposição, não tem conseguido capitalizar nas sondagens o descontentamento dos portugueses.
Lisboa - A cerca de um mês das eleições legislativas de 5 de junho, o Partido Social Democrata (PSD) continua a não reunir condições para formar governo sem ser numa aliança com o Partido Socialista (PS), cujo Executivo está demissionário. É o que indica uma pesquisa da Eurosondagem para o "Expresso", Rádio Renascença e SIC.
A sondagem, que inquiriu uma amostra de 2 mil portugueses, revela que o PSD reúne 35,8% das intenções de voto, tendo pouco mais de três pontos de vantagem sobre o PS, com 32,5%. Uma outra sondagem, de outra empresa, chegou a colocar, no mês passado, os socialistas à frente dos sociais-democratas.
O CDS-PP continua a ser o terceiro partido mais apoiado pelos portugueses: segundo a sondagem, recolhe 11,1% das intenções de voto. Esta semana o líder do CDS, Paulo Portas, deu sinais de que lutará para ser uma alternativa de governo ao bloco central do PS e PSD.
O PCP figura na pesquisa da Eurosondagem com 7,7% e o Bloco de Esquerda com 6,6% das intenções de voto. Os dois partidos mais à esquerda do Parlamento (entretanto dissolvido) recusaram-se a dialogar com os peritos internacionais do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu para a negociação do pacote de medidas de reforma do País.
As legislativas de 5 de junho, resultantes da demissão do Governo do primeiro-ministro José Sócrates, foram convocadas depois de o PSD se ter recusado a viabilizar na Assembleia da República um pacote de medidas de austeridade para Portugal.
Pouco depois, o Governo demissionário cedeu às pressões externas e internas para aceitar pedir o auxílio das autoridades internacionais em matéria de financiamento público.
O pacote de financiamento externo será de 78 mil milhões de euros, concedendo taxas de juro estáveis e abaixo das exigidas pelos mercados financeiros, tendo como contrapartida a exigência de um amplo leque de medidas de reforma das finanças públicas.
Os principais penalizados serão as famílias portuguesas, que verão os rendimentos diminuir, por via de maiores encargos com os impostos, maior carga fiscal e, em alguns casos, congelamento de salários.
Fonte: PORTUGAL DIGITAL