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Dilma Rousseff promete priorizar reforma tributária

5 de julho 2010

São Paulo – A candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse que, se eleita, tratará a reforma tributária como uma das prioridades de seu governo. Para Dilma, a simplificação do sistema tributário é condição básica para dar maior competitividade ao setor produtivo brasileiro.

"Não acredito que daremos um salto de competitividade com nosso atual sistema tributário, que considero caótico, tanto pela sobreposição de tributos como pela falta de clareza", afirmou a ex-ministra da Casa Civil ao participar, segunda-feira (5), de um almoço com representantes das principais empresas do país.

Perguntada sobre como e em quanto tempo levaria para concretizar propostas como a desoneração dos investimentos e a simplificação do sistema tributário, Dilma evitou fixar prazos e lembrou que o assunto precisará ser negociado tanto com os partidos da base aliada quanto com os da oposição. Ela ainda destacou a necessidade de se encontrar fórmulas para desonerar a folha de pagamentos das empresas sem mexer em direitos sociais e compensações para as eventuais perdas de arrecadação no primeiro momento.

"Qualquer reforma vai implicar diálogo e debates. Lógico que quanto mais rápido [for à votação no Congresso] melhor, até para aproveitarmos a legitimidade conferida por uma vitória eleitoral. Agora, se eu der prazos não estarei sendo correta, pois isso dependerá da futura composição do Congresso e de variáveis sobre as quais não temos controle".

Após afirmar que o Brasil sofreu "um apagão de investimentos" em obras de melhorias da infraestrutura nos 20 anos que antecederam o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma disse que a situação melhorou "mais de 100%" nos últimos oito anos. Ainda assim, reconheceu a necessidade de melhorar a gestão e aprimorar os investimentos públicos, sobretudo no setor aeroportuário.

Dilma também citou a necessidade de se reduzir o grau de endividamento público, a fim de permitir ao país fixar taxas de juros próximas às internacionais. "O objetivo é sempre melhorar, porque se alguém achar que está tudo feito não consegue ir adiante".

O almoço foi organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais, que conta com 652 empresas associadas que, juntas, representam 44% do Produto Interno Bruto (PIB) privado do país e que faturam, cada uma, um mínimo de R$ 200 milhões ao ano. O grupo é presidido pelo empresário João Dória Júnior, um dos organizadores do Movimento Cansei, criado em 2007 e que criticou o caos aéreo e a corrupção.

Entre as perguntas feitas por participantes, uma dizia respeito à relação do governo federal com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), historicamente ligado ao PT. "Acho que é preciso fazer uma distinção: movimento é movimento, governo é governo. Eu não sou do MST, mas acho que não podemos compactuar com ilegalidade. Invadiu edifício público e propriedade que não pode invadir, tem que haver clareza e eu acho que o governo Lula não deixou a coisa solta. Mas também não vamos reprimir o movimento quando ele estiver somente reivindicando", disse Dilma, defendendo que o governo Lula teria instituído a "paz no campo" por meio de políticas sociais que deram uma melhor condição de vida ao trabalhador rural, esvaziando parte das reivindicações do movimento.

Fonte: PORTUGAL DIGITAL
 

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