Boletim Informativo da Câmara de Comércio Brasil Portugal Paraná Edição 25 - Curitiba, 15 de maio de 2010

BRASIL NO FOCO DOS INVESTIMENTOS EXTERNOS

Giovanni Cataldi é Economista e Diretor-Presidente do SINDFIN – Sindicato das Instituições Financeiras não Bancárias do RS

O Brasil, já há algum tempo, figura como um dos principais destinos dos investidores estrangeiros. Grandes gestores de recursos internacionais alocam parte de seus recursos aos países emergentes em especial aos países do BRIC ( conjunto de países formados por Brasil, Rússia, Índia e China), onde a expectativa de valorização dos ativos é maior do que em países desenvolvidos, economias estas, como a exemplo dos países Europeus não crescem a algum tempo e em alguns casos como o recente caso da Grécia até decrescem.
O que temos reparado ultimamente é uma mudança qualitativa do perfil dos investidores externos, pois acabou a fase do “ganho fácil” nos mercados emergentes, desta forma, o perfil dos investidores que estão vindo para o Brasil não são somente os oportunistas mas também investidores de longo prazo, ou seja, os Hedge Funds que procuram muitas vezes ganhos imediatos estão aos poucos sendo substituídos por fundos de pensão e fundos soberanos, investidores estes muito esperados pelas empresas pois possuem uma estratégia de longo prazo.
Esta mudança se deu muito pelo fato do crescente interesse de pessoas físicas estrangeiras, em especial Europeus e Asiáticos, em investir no Brasil. Este interesse das pessoas físicas se refletiu através das aplicações dos fundos de pensão que desencadeou todo o processo.
Este interesse no mercado Brasileiro foi despertado pela força da Economia nacional percebida, principalmente, durante a Crise Financeira mundial, pois, apesar de alguns setores da nossa economia terem sido muito afetados, principalmente os ligados a exportação, a força do mercado interno foi demonstrada, muito devido ao aumento da renda da população e a consolidação do aumento da Classe C, com renda de aproximadamente R$ 1.000,00 e redução das classes D e E com renda de até R$ 600,00, demonstrando que a desigualdade social no país, um dos grandes problemas no passado, vem sendo gradativamente reduzido.
Em pesquisas recentes, verificou-se que o aumento da confiança na economia do país tem aumentado e possui ligação direta com a intenção de compra da população, criando expectativas excelentes para alguns setores como educação, eletro-eletrônicos, varejo, dentre outros, atraindo dessa forma o olhar dos investidores para essas industrias, podendo descrever que o Brasil, entrou em um circulo virtuoso sendo que os investidores olham o país como uma excelente oportunidade devido a força de seu mercado interno, as empresas por sua vez podem investir mais com os recursos de longo prazo, gerando mais empregos e fortalecendo ainda mais o mercado interno com a confiança do consumidor.