Após Brasil, universidade portuguesa aposta em África e Ásia
"É uma estratégia quase natural, porque procuramos fazer aqui uma ciência com rosto. Com uma certa marca, que é ligar o trabalho científico à valorização humana e melhoria das sociedades", afirmou à Agência Lusa o diretor do Centro, Boaventura de Sousa Santos.
Essa "ansiedade partilhada pelos estudantes" de mestrado e doutorado estrangeiros do CES acaba impulsionando esses alunos a reeditar o modelo quando retornam a seus países, explicou.
Desta forma surgiu o CES-AL, em Belo Horizonte, com objetivo de atuar em toda a América Latina e romper com uma visão instalada nas ciências sociais muito centrada no próprio país.
Segundo o diretor do CES, a expansão do centro de pesquisa, ligado à Faculdade de Economia de Coimbra, já conta com a colaboração de autoridades universitárias do Brasil.
Expansão
Em Moçambique, está em fase de instalação o CES-África, em homenagem ao sociólogo Aquino de Bragança. O centro será dirigido a toda a África Austral e a países de língua oficial portuguesa.
Também já foram realizados os primeiros contatos com a Índia para instalar o CES-Ásia em Goa. A instituição de pesquisa poderá se tornar realidade no próximo ano, quando se comemoram 500 anos da chegada de Afonso de Albuquerque a Goa.
Estas expansões contam com a colaboração do CES de Coimbra, que fornece apoio e pretende fazer "uma transferência solidária de tecnologia", especificamente a do Observatório Permanente da Justiça de Portugal.
O diretor do CES lembrou que estes centros funcionam de maneira independente, e contarão com pesquisa e observatório da justiça. No caso do CES-África, haverá um observatório de justiças - da tradicional e da das autoridades tradicionais.
"Na África (a ideia) é criar uma estrutura. As políticas do Banco Mundial arruinaram as estruturas universitárias africanas. Os investigadores que não querem pactuar com isso são muitas vezes obrigados a serem proletarizados por organizações não governamentais do norte que vêm lhes dizer o que têm de fazer. Os quadros de referência estão feitos, os métodos estão decididos e eles têm apenas de recolher a informação", observou.
Para Boaventura de Sousa Santos, estas extensões pelo mundo acabam por ser também "um certo prolongamento do CES, pois seus investigadores estrangeiros vão ter aí uma sede onde podem trabalhar, deixar seus materiais e contratar assistentes de investigação".
Também ocorre a expansão da "escola do CES, que são as epistemologias do Sul", que quer "mostrar que há outro conhecimento de outro mundo, que há realidades muito mais antigas e interessantes".
Fonte: Agência Lusa
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