O primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou nesta terça-feira que a única forma de combater o endividamento externo de Portugal é mudando o panorama energético nacional, e destacou que, no mundo, os países vão entrar em uma corrida atrás das energias renováveis.
"Esta é a maior central fotovoltaica do mundo em ambiente urbano e fica como símbolo de um país que fez, há alguns anos, uma escolha e uma opção: a energia renovável", disse Sócrates na inauguração da estrutura, que fica no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (Marl).
A central exigiu um investimento privado na ordem dos 31 milhões de euros (R$ 80 milhões, ao câmbio atual) e terá capacidade de produção para atender ao equivalente a um ano de consumo energético de 13 mil pessoas.
No discurso, o premiê português disse que o país apostou nas energias renováveis "porque não pode ficar tão dependente do petróleo".
"Reforçar a nossa autonomia estratégica dos combustíveis fosseis é absolutamente essencial. Se queremos reforçar a nossa autonomia, a única alternativa é a aposta nas energias que têm como base os recursos nacionais, as energias renováveis", defendeu o chefe do governo português, antes de fazer referência à questão do endividamento externo de Portugal - questão muito focada pelo Partido Social Democrata (PSD).
Segundo Sócrates, com o aumento da produção própria em energias renováveis o país poderá reduzir seu endividamento externo, porque "metade do endividamento diz respeito à conta energética e ao petróleo".
"Não há luta contra o endividamento que não passe por uma alteração do quadro energético português", ressaltou.
Sócrates falou ainda sobre a questão ambiental em nível mundial.
"A luta ambiental a que todos os países estão obrigados faz com que se aposte nas energias renováveis. Quer o acordo de Quioto, quer os futuros acordos que o mundo vai estabelecer - e que começarão há em Copenhague daqui a algumas semanas -, vão obrigar todos os países a uma corrida no sentido das renováveis", ressaltou.
Antes de Sócrates, o ministro português da Economia, Fernando Vieira da Silva, defendeu a necessidade de Portugal estar presente em todas as etapas do desenvolvimento tecnológico na área das energias renováveis.
"Na energia solar está a viver-se uma autêntica revolução. Não podemos ficar à espera que apareça a última palavra neste domínio para começarmos a avançar", defendeu Vieira da Silva, em cerimônia na qual esteve acompanhado de seus secretários de Estado Fernando Serrasqueiro e Carlos Zorrinho.
Fonte: Agência Lusa
24.11.09