A Conferência do Clima, que acontece em Copenhague até esta sexta-feira para estabelecer as bases de um novo acordo climático global e vinculativo, é um "momento determinante na história", afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Ele chegou nesta terça a Copenhague para tentar dar um novo impulso à conferência da ONU sobre mudanças climáticas e participar no início oficial dos trabalhos da sessão plenária do encontro.
Na sexta-feira são esperados cerca de 120 chefes de Estado e de governo para fechar um novo acordo sobre corte de emissões de gases que intensificam o efeito de estufa para entrar em vigor em 2013.
Falando na reunião de alto nível, o secretário-geral da ONU exigiu "um acordo que reduza as emissões de gases com efeito de estufa, proteja os mais vulneráveis e abra uma nova era de desenvolvimento limpo e verde para o crescimento de todos".
"Estamos aqui para ser bem sucedidos, e não para fracassar", afirmou Ban.
O responsável da ONU destacou que o financiamento para "ajudar os países mais vulneráveis" no combate às mudanças climáticas "será o elemento-chave" do acordo político que sair de Copenhague.
Ban elogiou ainda o "consenso" entre os países desenvolvidos sobre a necessidade de "fornecerem ajudas imediatas no valor de cerca de US$ 10 bilhões durante os próximos três anos" às nações em desenvolvimento para que estas consigam cortar suas emissões e se adaptar aos impactos do aquecimento global.
Além disso, o secretário-geral das Nações Unidas assegurou que o acordo político que será alcançado em Copenhague será "mais seguro, que rapidamente será transformado em um tratado juridicamente vinculativo".
Mais compromisso
Para a ministra dinamarquesa do Clima e Energia, Connie Hedegaard , que preside os trabalhos em Copenhague, a conferência só fracassará se os participantes não aceitarem os compromissos
"Devo alertar vocês que poderemos fracassar", afirmou Hedegaard a chefes de Estado e de governo, ministros do Meio Ambiente dos 192 países participantes e personalidades internacionais, como os príncipes herdeiros do Reino Unido e Dinamarca.
"Se queremos ser bem sucedidos - e nós vamos ser bem sucedidos -, temos que mudar de velocidade. Isso significa que a palavra-chave nos próximos dois dias será 'compromisso'", ressaltou a ministra dinamarquesa.
O secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, lembrou que em mais de uma semana de negociações foram registrados progressos, mas que estes "ainda são insuficientes".
"Houve progressos, mas são insuficientes para poder apresentar Copenhague ao mundo como um sucesso. Temos pouco tempo, pelo que não devemos continuar a insistir no mesmo caminho. Há muito em jogo", afirmou, destacando que não se trata de "celebrar a vitória de uma nação sobre outra, de um grupo sobre outro".
"O objetivo é encontrar soluções em vez de deixar que persistam os problemas", ressaltou.
Os ministros do Ambiente seguem reunidos na capital dinamarquesa para tentar alcançar um consenso sobre o conteúdo de um novo acordo contra o aquecimento global, que submeterão na sexta-feira aos mais de 100 chefes de Estado e de governo, que confirmaram presença no encontro.
Fonte: Agência Lusa
15.12.09