A MyBrand, consultoria portuguesa especializada na construção de marcas, quer entrar no Brasil ainda neste semestre. O projeto é abrir escritório em São Paulo e formar uma equipe mista de portugueses e brasileiros.
O presidente da companhia, João Frade, planeja iniciar visitas a uma série de possíveis clientes nacionais a partir de março. Somente depois disso pensará no tamanho da operação no país.
Faz parte do plano de Frade destacar sua experiência na criação de marcas conhecidas como Oi e Vivo.
A empresa, hoje com 63 funcionários, iniciou o processo de expansão no fim do ano passado. Em dezembro, Frade abriu escritório em Luanda, capital de Angola, na Africa, e agora chega ao Brasil.
O principal interesse da consultoria está na conquista de clientes que devem iniciar projetos de internacionalização como resultado do crescimento de suas economias. "No caso do Brasil, achamos que muitas empresas brasileiras irão procurar se firmar em mercados internacionais e queremos aproveitar essa oportunidade", afirma Frade.
O executivo acredita que durante muitos anos, pelo próprio tamanho do mercado interno, as companhias brasileiras estiveram muito voltadas para dentro do país. O cenário começou a mudar no ano passado, com a exposição que a imagem do Brasil ganhou no mundo.
Na avaliação de Frade, o potencial do Brasil é maior quando comparado aos outros países do Bric, acrônimo criado em 2003 para definir ao grupo de países de economias emergentes - Brasil, Rússia, Indía e China.
"O Bric mais organizado até aqui é o Brasil", diz Frade. "É um país mais aberto e já tem marcas constituídas". Para ele, a China também está neste caminho, mas os brasileiros não podem deixar passar esse momento para estar na liderança.
Marca Brasil
Frade avalia que ainda falta ao país um trabalho centralizado em torno da marca país no mundo. Para ele, durante muito tempo as referências do Brasil foram futebol, carnaval e crime que só constribuíram para desvalorizar a marca Brasil. Mas até aqui nada foi feito para trabalhar a nova percepção que o mundo tem do país. "O Brasil descuidou de sua imagem".
De fato nos últimos anos, o esforço de algumas marcas privadas no exterior, entre elas Havaianas, o crescimento da economia brasileira, e até a exposição do presidente Lula ajudaram a melhorar a percepção do país.
"A eleição de Lula foi um exemplo de democracia dado ao mundo", diz.
Hoje a marca Brasil não é consensual. Há setores em que a identificação pode ser positiva para uma empresa privada, mas existem outros em que o efeito é contrário. A moda é exemplo positivo, porém em tecnologia o país não é conhecido, e isso precisa ser trabalhado.
Em 1992, Frade fez parte da equipe do Instituto de Comércio Externo de Portugal (Icep), que elaborou o primeiro esforço centralizado do país em torno da promoção da marca Portugal no mundo.
"O trabalho foi fundamental para a ajudar na expansão das empresas portuguesas que muito cedo tiveram que ir ao exterior", afirma Frade.
Fonte: Brasil Economico
21.01.10