Primeiro, as árvores não serão mais processadas por meras serralherias, mas por biorrefinarias. Delas se retirará a matéria-prima para a geração de energia elétrica, em escala comercial, campo no qual competirão com outras fontes hoje alternativas, como a solar e a eólica. Seu palpite é que concorram até com a matriz hídrica.
O eucalipto também produzirá etanol, e na década de 2020 será o insumo básico de bioplásticos. "A produção florestal no futuro será multiuso. As fábricas irão fracionar árvores e dar o melhor destino para cada fração", vaticina Comério.
Enquanto os centros de pesquisa das empresas estudam os usos futuros do eucalipto, os produtores de florestas plantadas planejam investimentos de R$ 5 bilhões, até 2014, a fim de aumentar a área reflorestada dos atuais 6,58 milhões de hectares para 8 milhões. Pode se tratar de um estimativa modesta. Há quem aposte em números bem maiores.
Atualmente o Brasil usa 1,5% de suas terras com atividade florestal. Mesmo que duplique a área em 7 ou 10 anos, ficará ainda um tanto longe da média mundial de ocupação, de 5% do território da nação.
No entanto, o Brasil bate os outros países em produtividade. A produção nacional média é de 35 m³, chegando em alguns casos a 50 m³, ao passo que a média europeia é de 10 m³.
Muitos usuários de carvão vegetal ainda não o produzem, desfalcando matas nativas. Entre os produtores independentes de ferro-gusa, a siderúrgica mineira Plantar é uma exceção, como se verá na série de reportagens que começa a seguir.
11/02/10 | Brasil Econômico